terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Marx depois de Marx

 


1 - A editora que publicou o livro chama-se "Holus". Pesquisando o site, vi que não tem muitos livros publicados. Apenas 10 e, destes, 9 são de autoria de "J. S. Godinho" (Ver: https://holuseditora.commercesuite.com.br/ ). Os títulos sugerem tratar-se de livros "Espiritualistas", não espíritas (quem tiver curiosidade, o Allan Kardec faz uma explicação sobre essa diferença na introdução de "O Livro dos Espíritos", veja aqui: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2014/05/Livro-dos-Espiritos.pdf ). Pode ter sido por isso que não tive notícias desse livro nos sites das federativas (CEERJ e FEB), ainda que a Boa Nova, editora espírita, esteja comercializando o livro.

2 - Pesquisando sobre “J. S. Godinho”, encontrei sua página no Facebook (Ver: https://www.facebook.com/js.godinho ). Nela, consta que “trabalhou como titular na empresa Holus Instituto”, o mesmo nome da editora. No Facebook do instituto é apresentado como  “Terapias energéticas. (Ver: https://www.facebook.com/CarlaRT ). Pela coincidência dos nomes e dos materiais que publicam e divulgam, a editora deve ter relação com o instituto.

3 - É difícil encontrar informações sobre a médium Andreza Aparecida Francisco. Não localizei suas redes sociais (Facebook e Twitter). Apenas consta que seja acupunturista (ver: http://satospterapeutas.site.com.br/loja/andreza-aparecida-francisco-crto-3160/ ).

4 – Quando analisamos a página de J. S. Godinho é possível, através de suas postagens, verificar que se trata de alguém que APOIA JAIR BOLSONARO; que é defensor do uso da cloroquina, ivermectina e azitromicina para combater a covid-19; que compartilha sites que publicam fake news (Conexão Política); que defende blogueiro bolsonarista; que publica contra influenciadores digitais que querem “derrubar o presidente do Brasil”; que é contra o uso de máscaras e a obrigatoriedade da vacinação (ver: https://www.facebook.com/js.godinho ).

5 – J. S. Godinho é editor da Holus Editora. “A Holus Editora é mais um de nossos sonhos que ganhou forma e se tornou realidade. (...)A Holus Editora objetiva, a partir do lançamento de algumas obras sobre psiquismo, apresentando conteúdos claros e facilmente assimiláveis, incentivar o aparecimento de outras mais, visando descomplicar a vida das pessoas, impulsionando-as para o caminho da felicidade. Sabemos que o conhecimento-sabedoria representa a luz-verdade que pode libertar a humanidade da escravidão gerada pela falta de esclarecimentos sobre a realidade espiritual e sobre o “si mesmo”, em virtude de crenças anacrônicas, equivocadas e obsoletas, sejam de natureza científica, filosófica ou religiosa. Queremos contribuir para a mudança gradual dessa realidade, contando com a participação de todos os que pensam da mesma forma.” (ver: http://www.holuseditora.com.br/?fbclid=IwAR0LN7lwzJLCneXODcL7U9CJubpritbI_eEFbcZfyNV7Yc3mXQUebD61Y3s ). Atentem para a última frase. O editor declara contar com a participação daqueles que pensam da mesma forma (que ele, claro!). De acordo com o que vimos acima (item 4), dificilmente alguém com sua reacionária visão de mundo publicaria alguma coisa simpática a Karl Marx ou ao Marxismo. A apresentação da obra quer mostrar-se “isentona”, falando de erros e acertos, mas a última frase também aponta para o que pode ser a sua tônica: “Mostra-nos, também, como o sofrimento e o arrependimento transformaram sua vida”, como a querer demonstrar que o trabalho de Karl Marx teria gerado, para ele, consequências negativas no mundo espiritual (ver: https://holuseditora.commercesuite.com.br/livros/marx-depois-de-marx ).

6 - Duas alternativas: Isso tem cara de coisa de zombeteiro do Mundo Espiritual, pra zoar com a cara da médium, do Espiritismo e do Marxismo. Ou pode ser animismo, quando o próprio médium externa suas opiniões sem o concurso de qualquer Espírito desencarnado, ainda que assine o trabalho como se o fosse. Topando a médium com um editor reacionário, situado à direita do espectro das forças políticas, encontrou quem a publicasse. Se eu encontrar em algum sebo por menos de R$: 5,00 eu compro pra ler.


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Os inimigos do SUS são meus inimigos

Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e todos aqueles que participam desse governo ou o apoiam são adversários da classe trabalhadora e devem ser tratados como tais. Apoia esse governo? É meu inimigo. Silencia e faz vista grossa, fingindo "isenção política"? Quero distância de você!


A nova desses canalhas é dar mais um passo no processo de destruição do SUS (Sistema Único de Saúde) com seu decreto sobre o Programa de Parceria de Investimentos (PPI) que atingiria unidades básicas de saúde.  


Porém, o esforço de desmonte e privatização do SUS não é uma originalidade desse governo. Eu sou rancoroso e a memória dos rancorosos é sinistra. 


Eu lembro, perfeitamente, das simpatias de Jose Gomes Temporão, Ministro de Saúde de Lula, o "Dom Sebastião" onisciente de setores que se reivindicam como "esquerda" (ex-querda seria mais adequado) com as PPPs, "Parcerias Público-Privadas";  


Lembro que o dito partido dos trabalhadores foi apoiou Sergio Cabral e Eduardo Paes, do então PMDB, entre o final da década de 2000 e o início da de 2010; Lembro que Adilson Pires, do PT, foi vice de Eduardo Paes quando este implementou, em 2009, o câncer das Organizações Sociais (OSs), escoadouro de dinheiro público, ambiente fértil para maracutaias;


Lembro, por fim, que o Hospital Federal do Andaraí - assim como os demais da rede federal aqui no Rio de Janeiro - durante as gestões petistas já sofria com a precariedade das condições estruturais e logísticas, que se refletiam na qualidade do atendimento à população. 


Concluindo, tem muita "indignação" por aí com o decreto de Jair Bolsonaro que não vale o que o gato enterra. A "agitação de esquerda", por parte destes, encobre, em realidade, a frustração por não ser, no momento, o gerente dos interesses do Capital.






















sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Vínculos entre Wilson Witzel e a família de Jair Bolsonaro

Os eleitores do Jair Bolsonaro (atualmente sem partido, era do PSL), em sua esmagadora maioria eleitores de Wilson Witzel (PSC), governador do Estado do Rio de Janeiro afastado de suas funções, sentiram o golpe!


Estão aborrecidos com o afastamento do governador e tentando desvincular a imagem de Jair Bolsonaro à de Wilson Witzel.


A aproximação de ambos se deu através do apoio de Flávio Bolsonaro, aquele dos rachadões ("comer" parte dos salários dos funcionários de gabinete) em parceria com o Queiroz e da lavanderia de dinheiro via Kopenhagen.


Vocês acham que o Flávio Bolsonaro apoiaria Wilson Witzel sem a aprovação de seu pai? Sem que o patriarca desse o aval, ainda que, publicamente, ele, Jair Bolsonaro, não assumisse esse apoio? Alguém ainda duvida que Wilson Witzel surfou na "onda" de Jair Bolsonaro e do PSL? O ex-juiz não tinha carreira política.


Em tempo: Jair Bolsonaro ingressou no PSC do Pastor Everaldo (que foi preso em 28/8/2020) em 2016 e ficou até 2018, quando ingressou no PSL para concorrer à Presidência.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Os liberais querem "menos Estado" para os outros e "mais Estado" para si mesmos

Quando liberais endinheirados defendem o Estado Mínimo e atacam o funcionalismo público é porque, em realidade, querem sequestrar, para eles, o Estado. É "mais Estado" para eles e menos Estado para os trabalhadores. 

Alguns querem fechar contratos - bem gordos para eles - a fim de administrarem serviços para a população. Outros desejam mesmo implodir Educação e Saúde públicas para que estes serviços se tornem privilégios de quem pode pagar. 

Vocês podem acompanhar a "eficiência" da inciativa privada pelas empresas de telefonia. Alguém passa um ano sem se aborrecer com elas? 

Já notaram a quantidade de escândalos que envolvem Organizações Sociais que estão à frente na administração de unidades de saúde públicas? 

Caso destruam os servidores públicos e, em lugar destes, trabalhadores contratados ou terceirizados assumam os serviços em sua totalidade, veremos com frequência ainda maior esses casos de trabalhadores sem salários e direitos, como os que tem ocorrido com os dos hospitais de campanha ou clínicas da família (administrados por Organizações Sociais).  

Também veremos a prática da intimidação, com ameaça de demissão e perseguições, de contratados e terceirizados que "não fechem" com seus superiores hierárquicos, nem sempre honestos e bem intencionados na administração. A estabilidade protege o servidor público de perseguições e demissão caso denuncie algum ilícito. O contratado ou o terceirizado, sem essa garantida, podem ser calados com ameaças e demissão. 

Por último, será bem comum a prática de gabinete da família Bolsonaro: funcionários fantasmas e a "rachadinha" (parte dos salários do trabalhador ficando para contratantes ou superiores hierárquicos).

domingo, 31 de maio de 2020

"Manifesto Estamos Juntos"

O "Manifesto Estamos Juntos" tem umas coisas que me incomodam.

1) Embora propositivo, lança alicerces vagos para o pós-Bolsonaro que podem ser perigosos para os interesses dos trabalhadores. Preferia que se restringisse à retirada de Jair Bolsonaro do poder.

2) "Unir a pátria e resgatar nossa identidade como nação".

Essa busca por homogeneidade é problemática. Ela acaba enquadrando, as vezes com muita violência, aqueles que não se encaixariam nessa unidade. Em nome dessa "união", a dissidência costuma ser calada.
Há que se pensar, também, se essa unidade já existiu alguma vez. O Brasil não é sentido e vivido da mesma maneira pelo grande empresário e pelo trabalhador informal. O lugar de classe social determina bastante a maneira como estes atores vivem e sentem o mundo. Quem mora na Vieira Souto, no Leblon experiencia essa identidade diferentemente de quem vive na favela de Antares, em Santa Cruz.

3) "Projeto comum de país".

Em benefício de quem? Em favor de quem? O número 4 começa a responder.

4) "(...) deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia."

Numa sociedade dividida por classes sociais tem como não existir disputas? Ou os interesses do trabalhador informal podem ser equiparados ao do Luciano Huck? O "bem comum" tem tudo para ser transformado naquilo que pessoas como Luciano Huck entendem por isso.
Se estão supostamente trabalhando pelo bem comum e em defesa da lei e da ordem, o enquadramento pode vir pesado através delas para colocar no seu devido lugar aqueles que encontram-se deslocados desta realidade, à sua margem, por causa da "responsabilidade na economia", que reforma a previdência, que terceiriza a mão de obra, que retira direitos trabalhistas, que privatiza e esvazia o serviço público, que retira investimentos de saúde e educação públicos.

5) "Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população. Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo."

O problema é como combater a desigualdade com a tal da "responsabilidade na economia" no cangote, carta que costuma ser acionada pelos liberais (estão entre os que assinam esse documento) para castrar gastos sociais e direitos trabalhistas. País desenvolvido e justo será alcançado através da trilha liberal? Penso que não.
Gostaria de ver expresso o compromisso com a saúde e educação PÚBLICAS. Quando isso fica em aberto, a gente pode suspeitar, com muitas chances de acerto, que a porta está aberta para a terceirização em nome da "responsabilidade na economia" e na "modernização do mundo do trabalho" (que não está citada no documento, mas também é uma carta acionada por liberais). É necessário verificar, também, se esse compromisso com a segurança não reproduzirá a lógica de guerra aos pobres com o verniz de guerra às drogas.

É melhor um movimento desses, que de alguma maneira oponha-se ao Jair Bolsonaro, do que nenhum movimento?
É melhor. Que ele tome um pé na bunda o quanto antes. Agora, que se tenha em mente que o movimento não é neutro. Ele tem uma visão de política e de economia junto a qual ele tenta criar consensos.
Importante destacar, também, que os liberais se incomodaram muito pouco com a eleição de Jair Bolsonaro. Quando querem passar sua agenda econômica, não se preocupam com quem vai fazer o trabalho, desde que ele seja feito. Se for autoritário, tanto melhor, como aconteceu no Chile de Pinochet. Bolsonaro começa a desagradar setores da burguesia porque está "salgando o solo", destruindo possibilidades de captação de investimentos e de entrega das reformas que retiram direitos dos trabalhadores, além de seu fracasso no combate à pandemia do coronavírus. As estatísticas econômicas, que já eram ruins, tem viés de grande piora para o futuro.

Espero, sinceramente, mas também com grande receio que não se concretize, que os movimentos sociais das esquerdas (porque os partidos estão à reboque das disputas eleitoreiras) organizem-se para criar uma pauta para disputarem esse pós-Bolsonaro que esperamos.

Por hora, é isso.

domingo, 22 de março de 2020

Impeachment ou Interdição de Jair Bolsonaro

As decisões de políticas públicas que envolvam o combate ao covid-19 e aos destinos da nação de maneira geral tem ser feitas sem o Jair Bolsonaro. Não podem, mais, passar por suas mãos. A economia já estava uma merda. Vai piorar. Os números de casos de infecção vão aumentar, o número de mortes também.

Acabou para ele. O país não suporta o desgoverno.

Mostra-se uma pessoa desequilibrada ao extremo e totalmente despreparado para o cargo que ocupa. Sua atuação pública tem ido no sentido contrário ao que apontam os especialistas em saúde. A todo momento, minimiza uma enfermidade que vai colapsar o sistema de saúde e vai matar gente!

Jair Bolsonaro tem que ser isolado. Se puder se interditado, melhor.

Governadores e Prefeitos tem que bancar as medidas que tomaram no combate ao coronavírus, ainda que elas venham de encontro ao que quer o desequilibrado sentado na cadeira presidencial. Devem ignorá-lo, solenemente.

Legislativo e Judiciário devem se articular para dar suporte às políticas locais, já que o país está sendo comandado por um desequilibrado incompetente que precisa ser retirado do poder o quanto antes!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Covid-19, Jair Bolsonaro e outro futuro

Panelaços contra Jair Bolsonaro. Que bom! Aliás, estou seguro que muitos dos que estão batendo panelas hoje votaram no capitão. Há sempre tempo de arrepender-se das cagadas que fazemos, não é verdade?

Porém, eu não vou deixar de dizer: Eu avisei!

Antes dos efeitos do coronavírus, a economia nacional patinava, sem rumo. Desemprego alto, informalidade superando empregos formais, destruição ("carinhosamente" chamada de reforma) da Previdência, empresas fechando, dólar disparando, batendo recordes...

Além disso, o receituário de austeridade para os pobres, iniciado no segundo governo Dilma, aprofundado por Michel Temer e seguido à risca por Jair Bolsonaro - restrição à pensão por morte e auxílio doença, redução brusca de subsídios ao setor elétrico, o teto dos gastos, a reforma (desmantelamento da legislação) trabalhista, a lei de terceirizações - NÃO ENTREGARAM A PROSPERIDADE PROMETIDA.

Bom, não entregaram para os pobres, que tiveram a vida piorada. Não por acaso, a desigualdade social aumentou nos últimos anos. Se alguém perde - a maioria - alguém ganhou - a minoria próspera, endinheirada, aprofundando o abismo social existente neste país.

Agora estamos diante de um desafio gigantesco enquanto nação e enquanto HUMANIDADE: o combate ao covid-19.

Os liberais, aqueles mesmos que diziam que o Estado era muito grande, que sua intervenção era nociva à economia, sentindo a água bater na bunda, pedem socorro... Ao Estado! Em última análise, o "menos Estado" refere-se, apenas, aos mais pobres, porque os endinheirados querem o Estado para si.

O coronavírus alcança ricos e pobres, além de seu potencial explosivo de destroçar o já esgarçado tecido social. Com isso, os fundamentos da exploração podem ser abalados profundamente. Quem vive e engorda com o Capitalismo tem calafrios quando algo possa ameaçá-lo. Lutarão, portanto, para manterem as coisas como estão.

Espero, de coração, que este seja o início do fim do governo - se é que dá pra chamar assim - de Jair Bolsonaro. Estimulando manifestações contra o Congresso e o STF, indo de encontro aos manifestantes num momento onde todos os órgãos sanitários e de saúde recomendam isolamento para evitar a propagação rápida do covid-19, com gestão econômica desastrosa, envolvimento com milicianos, Jair Bolsonaro demonstrou que não tem estatura moral para o cargo que ocupa. É incompetente. Age como um tiozão boçal de "zapzap". Seu afastamento pelo impeachment é necessário e urgente, pelo bem do país.

Também espero que, dessa crise de proporções planetárias, que destrói vidas, os seres humanos possam deixar de lado a lógica de "mercado" que também arrasa com o planeta. Que construam um novo futuro baseado em relações mais humanas e fraternas, fundamentadas no bem estar coletivo, da "Pachamama" (Terra), e não mais na exploração dos trabalhadores.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Sobre a Greta Thunberg



Eu penso que a luta pelo meio ambiente coexiste tranquilamente com a do fim das desigualdades sociais. Uma não invalida a outra. São duas frentes possíveis e necessárias. Penso, mesmo, que devem ser articuladas.

Não vi, até agora, falta de nexo naquilo que ela fala. Ao menos aqui, onde moro, no início do subúrbio carioca, posso atestar o efeito da degradação ambiental. Calor sufocante e ventos fortes são marcantes nos últimos anos. O calor "assa" quem mora no morro em casa de telhas de amianto e o vento leva tampas de caixa d'água e telhados. A água falta nas torneiras.

Sobre o "jeito" dela, deve ter relação com o fato de ser autista, o que para mim não é problema. Aliás, espanta-me que uma menina, que poderia estar vivendo as experiências de uma menina de sua idade, esteja interessada no futuro climático. Que bom! Eu, na idade dela, queria jogar bola e botão. É branca e de classe média? Não me importa. Tem um monte de gente assim que se interessa pelos mesmos temas e/ou pela sorte dos oprimidos. Tem até gente com mais grana. Tá aí o Engels pra nos lembrar que "os de cima" as vezes despertam para a solidariedade aos "de baixo".

Acredito mesmo que a luta pelo meio ambiente interesse hoje à muita gente porque não há outro planeta. A grande burguesia tem como minimizar seus problemas colocados pela questão ambiental criando fortalezas para suportarem os extremos climáticos (e, quem sabe, os refugiados climáticos) ou, mesmo, fugirem deles, "passeando" pelo planeta, buscando regiões menos afetadas. Essa alternativa não estará disponível para pessoas comuns, como nós, muito menos para aqueles que sofrem exploração ainda maior pelo Capital. Não são as casas dos grandes burgueses que serão destruídas com os extremos climáticos.

Circulam alguns textos, as vezes o mesmo traduzido, onde os autores tentam dar conta dos financiadores, dos interesses econômicos que estariam por trás de Greta Thunberg. Seriam interessados na implementação de energia verde. Enquanto não forem socializados os meios de produção, quem tomar a dianteira na tecnologia disso aí vai ganhar dinheiro, ainda que seja aberto novo capítulo de contradições do capital. No mais, os críticos, até o momento, dão a impressão de estarem, ainda, apegados em demasia aos modelos de desenvolvimento econômico com matrizes energéticas poluentes que, presentemente, inviabilizam o planeta.

Não tenho esperanças de ver, nos púlpitos da ONU, tratarem da luta de classes e da posse dos meios de produção. O pouco que isso ganha de visibilidade, aqui e ali, especificamente sobre consumo e exploração dos trabalhadores, vai mais no sentido de remediar o existente, num esforço por manterem-se os atuais arranjos de produção de mercadorias e poder. Mas... quem assiste, quem reflete sobre a realidade tomando-a como ponto de partida, se dá conta de que os problemas climáticos são causados pelo atual modo de produção capitalista. Onde aqueles que discutem o clima pararem, avançamos nós, os que percebemos essa relação. A classe trabalhadora emancipada necessita de um mundo habitável e sustentável.

Por hora, acompanho e coloco fichas na menina Greta Thunberg, ciente de seus potenciais limites e contradições políticos.

sábado, 7 de setembro de 2019

Censura de livros na Bienal do Livro 2019

O Bispo da Igreja Universal, que faz as vezes de prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, censura livros de temática LGBT. Consegue adesões de intolerantes, religiosos de fachada e representantes do judiciário. Há outros, certamente, que não botaram a cara agora, mas, a depender da conjuntura, podem engrossar essa fileira bestial.

O censor e seus apoiadores, que se declaram conservadores, SE NÃO FOREM COMBATIDOS, em breve se sentirão no direito de censurar livros espíritas, sobre religiões de matriz africana e de outras religiões ou filosofias com menor representatividade na sociedade. Dos púlpitos de suas igrejas, onde tosquiam avidamente seus fiéis, já os incitam contra outras formas de encarar a religião.

Depois, acionando a persistente histeria anticomunista, podem se lançar contra livros marxistas ou de esquerda, de maneira geral.

Por último, vão querer controlar o que pode ou não ser publicado, além de promoverem a destruição do que lhes desagrade, livros e leitores.

URGENTE cerrar fileiras contra essa censura, uma vez que a pouca ou nenhuma indignação pode ser lida como silêncio complacente ou medroso.

NÃO SE DEVE TOLERAR O INTOLERANTE!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Quem é esse cara?



É o cara que, nas eleições presidenciais, se vendeu como "o novo", na Política, mesmo sendo parlamentar de atuação irrelevante por 28 anos, além de ter pendurado três filhos na Política;

É o cara que, durante o governo Temer, enquanto era parlamentar, votou a favor da Lei de Terceirização das atividades fins. Terceirizados, são funcionários que ganham menos, trabalham e adoecem mais de acordo com alguns artigos disponíveis para consulta na internet; 

É o cara que, durante o governo Temer, enquanto era parlamentar, votou a favor da Reforma Trabalhista, vendida por Temer e Meireles (Ministro da Fazenda) como a solução para o desemprego nacional, "solução" que não resolveu o problema, vide as atuais taxas de desemprego. O efeito prático foi piorar as condições de trabalho e renda dos trabalhadores. É o cara que, na campanha e depois de eleito disse, inclusive, que essa Reforma Trabalhista deveria ser aprofundada;

É o cara que, no governo Temer, enquanto era parlamentar, votou pela PEC do Teto dos gastos, limitando investimentos em Saúde e Educação Pública por 20 anos; 

É o cara que, enquanto parlamentar, empregou funcionários fantasmas em seu gabinete (Val do Açaí e a filha do motorista Queiroz);

É o cara cuja família mantém relações de proximidade com milicianos, ora empregando familiares destes, ora defendendo-os em discursos nos Legislativos onde atuavam;

É o cara que, na contramão de setores da Ciência, enquanto presidente eleito, não liga importância à mudança do clima, ao combate ao desmatamento e que quer abrir terras indígenas (reservas) à exploração comercial;

É o cara que, enquanto presidente eleito, tem se mostrado subserviente aos interesses geopolíticos e econômicos dos Estados Unidos;

É o cara cujo presidente do seu partido (PSL) durante as eleições presidenciais se viu envolvido num esquema de uso de candidatos para lavagem de dinheiro, esquema que envolveu, também, o atual Ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio; 

É o cara cuja família entende bem do uso de laranjas para ocultação de patrimônio, vide o esquemão envolvendo o Queiroz, motorista e ex-assessor parlamentar de um dos filhos do cara (também parlamentar). O que ele fazia? Pegava parte dos salários dos funcionários de gabinete e mandava para esse filho em parcelas pequenas, a fim de não ser pego pelos órgãos fiscalizadores. Só que o Coaf pegou!

É o cara que, enquanto presidente, dos 20 ministros que nomeou, 5 deles são réus pela Justiça ou investigados;

É o cara que, durante a campanha presidencial, vivia repetindo versículo da Bíblia, do Novo Testamento, especificamente do Evangelho de João que falava "E conhecereis a verdade, e a verdade os libertará", mas cuja campanha política lançou mão de mentiras contra os adversários políticos (mamadeira de pênis, por exemplo), muitas das quais veiculadas pelo whatsapp. Agora, depois de eleito, novamente lançou mão da mentira - junto com um de seus filhos, parlamentar - falando que não havia conversado com o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, aliado de primeira hora, enquanto esteve internado, ao que foi desmentido pelo mesmo com a divulgação de áudios de conversas pelo whatsapp. "Do whatsapp viestes, ao whasapp voltarás!" Isso tudo por causa da utilização de candidaturas laranjas no PSL, sendo que, apesar do problema ter envolvido também o atual Ministro do Turismo, apenas Bebianno foi degolado, atendendo a caprichos do filho parlamentar;

É o cara, por fim (afinal, nem completou ainda dois meses de governo, né?) que, hoje, 20 de Fevereiro de 2019, mandou ao Congresso Nacional, uma Projeto de Reforma da Previdência que será cruel com os mais pobres. Estabelecendo idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, desconsidera a realidade de alguns Estados da federação que tem expectativa de vida menor (em torno dos 65 anos). Estabelece que idosos pobres, na faixa de 60 aos 69 anos, deverão receber, ao invés de um salário mínimo como é hoje, R$: 400,00. Com esse valor, dificilmente chegarão aos 70 anos de idade, quando viriam a receber o mínimo. Além disso, seu projeto estabelece que, para se aposentar recebendo salários integrais, os brasileiros deverão trabalhar míseros 40 ANOS DE SUAS VIDAS! Quem, na iniciativa privada, consegue manter-se empregado durante tanto tempo sem intervalos mais ou menos longos de desemprego? Assim, demorarão muito mais de 40 anos para conseguirem salários integrais! Seu projeto prevê, também, que a pensão por morte fique na casa dos 50% do benefício, mais 10% por dependente! Cruel, não? E não se diga que ele está surpreendendo. Ele disse que faria essa reforma.

Quem é esse cara? 

Jair Bolsonaro, presidente (sim, com letras minúsculas, como ele, que é um anão moral) da República Federativa do Brasil.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Jair Temer ou Michel Bolsonaro? Tanto faz!

Eu falei bastante e repito: Jair Bolsonaro é Michel Temer; Michel Temer é Jair Bolsonaro. 

Michel Temer teve ao seu lado na aprovação da Reforma Trabalhista, da Lei de Terceirização de atividades fim e da Pec do Teto dos Gastos, que retira investimentos da Saúde e Educação Públicas, o PSDB, o DEM e Jair Bolsonaro (com seu filho Eduardo, deputado federal por São Paulo). 

Agora, o presidente Jair Bolsonaro e seu partido apoiam a candidatura de Rodrigo Maia, do DEM, o "Botafogo" da lista de repasses ilícitos da Odebrecht na Lava Jato, à Presidência da Câmara dos Deputados. Pretende, com isso, que seu partido assuma a presidência de algumas Comissões da Câmara, como a de Constituição e Justiça. O presidente do partido de Jair Bolsonaro, Luciano Bivar, acha positiva a aproximação com o MDB (de Eduardo Cunha, Michel Temer e Sérgio Cabral) e do PSDB (de Aécio Neves). Em comum: a agenda que penaliza os pobres e os trabalhadores. 

Jair Bolsonaro, com quase 30 anos de Câmara dos Deputados, anunciou-se, na campanha presidencial, como o novo. Disse que o seu seria um governo marcado pela honestidade e pelo combate à corrupção, além de não compactuarem com a lógica do "toma lá, dá cá". 

Não é isso que a gente está vendo.

Ele enganou seus eleitores. 

Eu tinha certeza que ele faria isso. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Depois de toda eleição

Seu candidato ganhou as últimas eleições? 

Seu trabalho, enquanto eleitor, não acabou! Apenas mudou. Agora você vai acompanhar seu desempenho. 

Vai ver se ele está cumprindo o que ele prometeu. Disse que ia fazer uma coisa e está fazendo outra? Cobre. 

Vai verificar de quem ele está se aproximando e por quê. Disse que não andava com tais sujeitos e agora se aproxima deles? Questione. 

Não concordou com o que ele fez? Posicione-se. Questione-o. 

Voto não é carta branca, licença pro sujeito fazer o que bem entender. 

Não é só votar no dia das Eleições e, depois, submergir, querendo ficar tranquilo no seu cantinho. Voto gera efeitos na vida de todos.

Político tem que fiscalizado. E de perto! Não tem essa de "deixa ele/ela trabalhar em paz". Ele está ali como seu representante. Por isso, deve prestar contas daquilo que faz. 

Não cultue políticos. Não os venere como santos. São gente de carne e osso (e Espírito), estão sujeitos ao erro (intencional ou não). 

Se o político frustrou suas expectativas, assuma sua responsabilidade pelo voto que lhe deu e tenha a decência de não votar nele novamente.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Por que eu NÃO VOTO em Jair Bolsonaro




Eu entendo a decepção com o governo Dilma/Temer e compartilho dela. É uma lástima, para mim, que a situação tenha chegado a esse ponto. A todo o momento repito que as esquerdas devem bater a poeira do PT de suas sandálias se querem, de verdade, produzir algo de útil e emancipador para o povo. Entretanto, em razão do candidato que está do outro lado - que se apresenta como novo mesmo sendo e representando o velho na política - vou votar no Haddad praguejando muito.

O PT errou muito, se aliou ao que há de pior na política (inclusive o PP, partido que, durante muitos anos abrigou Jair Bolsonaro e é dos que mais foi citado na Lava Jato). Seus quadros deslumbraram-se com o poder e entraram nos esquemas de corrupção que já existiam antes do partido, quando não criaram ou aperfeiçoaram outros. Isso, à despeito do discurso pela ética e honestidade que seus partidários faziam antes de assumirem as estruturas de poder. Se por um lado suas políticas sociais foram benéficas para grandes setores da população, suas bases foram assentadas na exportação de commodities (matérias-primas) principalmente para a China que, então, crescia em torno de 15% ao ano. Quando esse crescimento chinês diminuiu pouco mais que a metade, a grana - que alimentava os programas sociais e, também, enchia o pote dos mais ricos, vide os lucros estratosféricos que tiveram no período - começou a faltar e a turma endinheirada pressionou pelas reformas liberalizantes (privatização do que fosse possível, reforma previdenciária, trabalhista, teto dos gastos públicos) com o único objetivo de sequestrar, para si (enquanto classe) o Estado. É a turma que prega e proclama "menos Estado" para os pobres, mas quer o Estado para si e para os seus. Quando o PT não entregou as reformas desejadas e o PMDB - quadrilha aliada do Temer - sinalizou que as faria (lembra de um documento chamado "Uma ponte para o futuro"?), a turma agitou o impeachment de Dilma (que fazia governo desastroso e começava a implementar programa de Aécio, mas não com a velocidade que o "Mercado" desejava). Temer, com o Congresso alinhado com ele e com essa agenda, promove essas reformas que a gente viu que, à despeito das promessas de Meirelles e Temer, não resolveram a economia e ferraram com os pobres.

Bolsonaro, para mim, representa o contrário de tudo que acredito em termos de política e valores humanos. Seu evasivo plano de governo e seu discurso moralista escondem uma agenda econômica liberalizante que vai tornar a vida dos mais pobres muito mais difícil do que já é. Seu potencial ministro da economia já sinalizou que a PEC do Teto dos gastos (que retira investimentos da educação e da saúde públicas) deveria ser aprofundada. Bolsonaro já sinalizou que prefere Reforma Trabalhista mais dura. Daqui a pouco as pessoas estarão trabalhando apenas para pagar comida e passagem pro trabalho. Se ficarem doentes, grávidas ou forem se aposentar, passarão apertos sérios. Ele, certamente, vai aprofundar as reformas que jogaram a popularidade de Temer no subterrâneo.

O outro problema não menos grave de sua candidatura são suas posturas e declarações públicas. À exaustão, já sinalizou que é racista, machista, homofóbico. Para além disso, despreza os Direitos Humanos (nossa garantia contra os abusos dos agentes do Estado) quando defende a prática da tortura (crime contra a Humanidade) e exalta figuras historicamente odiosas e desprezíveis, como Brilhante Ustra, torturador que, na ditadura militar, colocava ratos vivos nas vaginas das presas políticas e mostrava, à seus filhos (crianças), seus pais torturados (sujos de sangue, vômito e urina e com hematomas). A simpatia do candidato à essas coisas não quer dizer que ele tomará às mãos a prática delas, mas sim que seus simpatizantes se sentirão autorizados a realizá-las. Trata-se de consentimento.

Num ambiente desses, não sei se a oposição organizada será viabilizada, uma vez que o candidato já sinalizou que não admitirá ativismos (leia-se "Manifestações). Some-se à isso que o cara já admitiu "aliviar" a barra dos policiais que eventualmente matassem em serviço (já fazem muito, farão mais). Ora, se as atuais manifestações que incomodam o poder (desde o período do PT, diga-se de passagem) já são reprimidas com violência, o que esperar quando a PM tem licença para fazer o que entende? Veja que isso inviabiliza, ou torna quase impossível, qualquer oposição. E não vale dizer que garantias constitucionais freariam ele, já que, além de não mostrar apreço pela democracia, seu vice já manifestou intenção de realizar constituinte com notáveis que, escolhidos por eles, fariam uma constituição conforme seus desejos.

Penso, portanto, por tudo que elenquei, que fazer oposição ao Haddad será mais viável e menos perigo que fazer à Jair Bolsonaro. Por isso, sem qualquer empolgação, e lastimando profundamente, votarei 13. Seria melhor, para o país, que o segundo turno se desse com candidatos diferentes destes que estão aí. Fugiria à polarização que, neste momento, está sendo explosiva.

sábado, 29 de setembro de 2018

Notas sobre o "Mulheres contra o Bolsonaro"

#EleNão


1 – Fui de Metrô. No caminho, ainda no bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, vi duas moças se dirigindo ao Metrô. “Acho que vão lá para a Cinelândia”, pensei. Elas chegaram antes de mim e foram antes. Mas, no vagão, ainda na linha 2, era possível identificar grupos onde predominavam mulheres. “Essas vão”, pensei. E foram. Estavam lá as mulheres, em grande número, predominavam e tiveram protagonismo. Na Estação da Cinelândia, quando os trens paravam e as pessoas desciam, eram recebidas com o empolgado grito “Ele não!”. Eu me arrepiei e me emocionei. Senti um clima bem parecido com o de 20 de Junho de 2013. Quando a manifestação de dirigiu à Praça XV me retirei.

2 – Além das mulheres, vi homens, casais heterossexuais, muitos dos quais levando filhos, crianças pequenas que regulavam quatro anos de idade. Vi também bebês, e não foram poucos. Havia, ainda, homossexuais (à sós ou casais) e grande quantidade de idosos, na maioria mulheres. Torcidas de clubes do Rio de Janeiro se fizeram representar de maneira organizada e com faixas: Flamengo, Fluminense e Vasco. Vi gente com a camisa do Botafogo também.
Havia muita militância de partidos políticos situados no espectro das forças políticas do Centro (sendo generoso com alguns) à Esquerda: PDT, Rede, PT, PSOL e PSTU. A CUT e alguns sindicatos que não conhecia. Também os anarquistas (não vi em grande número, mas posso estar enganado). Houve distribuição de material de campanha dos candidatos junto com a inscrição #EleNão. Os nomes deles apareciam pequenos, o destaque era para o nome do movimento. Não peguei nenhum por causa disso.

3 – O Carro de Som, até onde vi, era comandado pelas mulheres. O “Ele não” predominava, mas havia, também, discursos e algumas apresentações de textos. Estive longe do carro de som na maior parte do tempo, portanto, não consigo recuperar o que foi dito.

4 – Havia poucos PMs. Não estavam na mesma quantidade das outras manifestações em que estive presente. Havia bastante guardas municipais nos seus trajes habituais, não era aquele grupo “especial” que se veste de besouro como os da PM. Não vi atacarem ninguém, graças a Deus.

5 – Calculo que havia em torno de 50 mil pessoas na manifestação.