sábado, 8 de março de 2014

DECLARAÇÃO CONJUNTA SOBRE A GREVE DOS GARIS DO RIO DE JANEIRO E O RELACIONAMENTO DA PREFEITURA COM OS PLEITOS DOS SERVIDORES

Nós, abaixo assinados, moderadores do Grupo “Servidores do Rio de Janeiro”, no Facebook, contando com a participação de mais de 13.000 membros, concordamos em formular a seguinte declaração conjunta:
Estamos observando com muita preocupação e receio os acontecimentos que se passam na cidade do Rio de Janeiro durante os últimos meses. Manifestações estudantis de protesto pacífico contra a corrupção e políticas do governo, que são normais e esperadas em qualquer sociedade democrática, foram objeto de repressão desmedida por parte das forças de segurança e de ataques por parte alguns meios de comunicações, com acusações questionáveis de vinculação com partidos políticos de oposição.
Estes fatos estão na origem de uma alarmante escalada de violência e de uma rápida deterioração da situação dos direitos humanos no país e em especial na cidade do Rio de Janeiro. Desde 2011, com a forte repressão aos movimentos “SOS BOMBEIROS”, passando pelas manifestações dos Policiais Militares, Profissionais da Educação Estaduais e Municipais, Guardas Municipais e, agora, dos Garis, presenciamos que os governos estadual e municipal demonstram adotar viés autoritário e absolutamente surdo aos clamores da sociedade. Os pleitos dos manifestantes são rejeitados imediatamente e logo considerados táticas de política de oposição.
Mas nos perguntamos: que oposição? Tanto a Cidade, quanto o Governo do Estado, nas esferas dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, contam com um amplo campo de simpatizantes e de partidos aliados, conferindo uma maioria ABSOLUTA superior a 75% nos respectivos parlamentos. Tal maioria, fruto da vontade das urnas, impede qualquer manobra oposicionista “grandiosa”.
E mesmo que fosse uma “manobra” da oposição, tal manobra sempre foi considerada legítima, pois quando na oposição, historicamente, o PT e outros partidos, que hoje são da base ampla desses governos, usavam da GREVE e das MANIFESTAÇÕES públicas para denunciar os abusos. E naquela época, nenhum ato de violência foi tão forte ou silenciador quanto hoje, na criminalização que presenciamos ser imposta pela Prefeitura do RIO.
A violência já ceifou a vida de um profissional da imprensa; estudantes, professores e demais servidores foram presos e denunciaram publicamente que foram submetidos à tortura, tratamento desumano e degradante por parte das autoridades; a imprensa independente (internet)  tem sido perseguida e dificuldades foram criadas para impedir que os meios de comunicação informem sobre os acontecimentos.
O protesto cívico e da oposição democrática tem sido criminalizado. Numerosos estudantes foram presos ou estão sob a ameaça de processos criminal; professoras foram espancadas e atingidas com balas de borracha, bombas e golpes de cassetete. Agora, os GARIS são conduzidos ao trabalho forçado, debaixo de miras de armas de fogo ilegal da PM ou de “fiscalizações” feitas por alguns constrangidos servidores da Guarda Municipal, absolutamente incompatíveis com a sua função constitucional e institucional. Servidores que há pouco tempo também bradavam por respeito e dignidade remuneratória. Outros líderes democráticos também têm sido submetidos a censuras e a perseguições administrativas e judiciais por razões políticas.
Condenamos estes fatos e CLAMAMOS ao Governo EDUARDO PAES e TODOS OS PARTIDOS e ATORES POLÍTICOS, a estabelecerem um debate construtivo tendo como estrela norteadora os princípios democráticos universalmente reconhecidos, definidos na Constituição da República Federativa do BRASIL.
Fazemos um apelo especial ao governo municipal, aos sindicatos e a sociedade civil atuarem para a criação, sem demora, das condições propícias para esse debate, com uma agenda compartilhada e sem exclusões. Para tanto, é imperativo que se ponha fim de imediato à perseguição contra os estudantes, servidores públicos municipais e os líderes da oposição. Faz-se também necessária a condução de uma investigação independente e transparente sobre as denúncias de abusos e outras violações de direitos humanos dos servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro. Devem cessar as restrições e hostilidades impostas à imprensa independente.
É igualmente necessário que as manifestações de protesto dos servidores públicos, partidos de oposição e de outras organizações sejam conduzidas de forma pacífica, como ocorre nas sociedades democráticas, e com o respeito devido ao mandato das diferentes autoridades do país, nos termos definidos pela Constituição.
Na condição de amigos da democracia e do jeito carioca de ser, confiamos que essa cidade será capaz de superar a extrema polarização e a intolerância que dominaram o cenário político dos últimos anos - males que minaram a eficácia dos mecanismos internos de debate democrático e a confiança na independência e imparcialidade de numerosas e relevantes instituições. Ao mesmo tempo, fazemos um chamamento à toda sociedade para que se junte a um esforço concertado em prol do fortalecimento da democracia e da preservação da paz no RIO DE JANEIRO.

7 de março de 2014 
Os Moderadores do Grupo “Servidores da Prefeitura do Rio de Janeiro”

-Marco Antonio Nicolau,
-Manuel Carlos Machado,
-Marco Aurélio Oliveira

-Gabriel Melgaço

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Insetos interiores e ratazanas morais


Quando li, recentemente, comentários favoráveis à jornalista Rachel Sheherazade, do SBT, em apoio à sua infeliz declaração legitimando a violência praticada contra um menor suspeito de cometer crimes no bairro do Flamengo (ver: http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/sbt-comentario-polemico-de-rachel-sheherazade-de-responsabilidade-dela-11524549 ), me veio à mente uma expressão do Bertolt Brecht: “Eu vivo em tempos sombrios!” Setores da sociedade apoiando a vingança, em detrimento da Justiça, sem ao menos questionarem as razões/motivações daqueles a quem desejam os rigores da violência. 

Justiceiros são tomados como heróis. Assassinos são alçados à categoria de benfeitores sociais; propagandistas do ódio – como a (mal)dita jornalista – são aclamados como equilibrados, lúcidos, justos, e, portanto, legítimos em sua atividade panfletária. Até quando? Até quando os justiceiros, que fazem julgamentos ao arrepio da lei, julgarem sumariamente estes mesmos que, hoje, lhes aplaudem, insanamente, as atitudes. O “perfil do executado” coincide com o “perfil do encarcerado” que, por sua vez, coincide com o “perfil do excluído” socialmente; Não me venham com o sofisma de que a miséria não tem nada a ver com isso, de que existem pobres honestos, etc. Analisem os perfis mencionados acima e reparem na coincidência étnica – a pele negra – e social – a pobreza, que flerta com a miséria. Os “justiceiros” varrem, para longe das vistas dos INDIFERENTES SOCIAIS, o que aqueles mais ou menos estabelecidos na sociedade não querem ver. Racheis Sheherazades, Jaires Bolsonaros, Reinaldos Azevedos, Lobões e porcarias similares, são (com muitas aspas) “ideólogos” (porque intelectualmente são rasos como pires) da exclusão. Agora pergunto: e quando outras categorias de pessoas se tornarem indesejáveis? E quando estivermos inseridos na categoria das pessoas “indesejáveis” para justiceiros e seus legitimadores? A quem recorreremos? Haverá possibilidades de fugir à rapidez de um gatilho apertado a fim de recorrer a alguém ou ao ESTADO DE DIREITO? 

Os adeptos das soluções rápidas, quase sempre acomodados mentais e sociais, que vivem no automatismo de viver sem “pensar” a própria existência e a sociedade onde estão inseridos, não querendo envolver-se – para não se comprometer/perder tempo – gritam pelas soluções de improviso. E acusam os defensores dos Direitos Humanos de defensores de bandidos. Não, não somos defensores de bandidos. Ao defender os transgressores da lei da violência vingativa, sem lei, defendemos os Direitos de TODOS os Humanos, até daqueles que, raivosos, esquecem sua condição humana, sejam os que cometem crimes bárbaros, sejam aqueles que clamam vingança na mesma proporção. A defesa do direito de ser e do direito de receber um julgamento justo é o que todos nós esperaríamos para nós. Lembram da máxima cristã: fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem? 

Quem escreve estas linhas não é santo. “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, como diria Fernando Pessoa. Mas acrescentaria que tenho, também, vários pesadelos do mundo, senão todos. Do contrário, estaria no Reino dos Céus. Me irrito com tudo que os outros se irritam. Não legitimo a violência cometida por aqueles que praticam crimes. Também sinto vontade de esganá-los (no mínimo). Agora, entre a vontade de fazer e a atitude, um abismo. Sinto a vontade, mas não faço e nem legitimo a ação daqueles que querem ser o braço de uma “justiça” sem julgamento justo. Não legitimo e não faço propaganda desse tipo de atitude, em razão de minhas convicções éticas e morais, as quais tento SINCRONIZAR COM MINHAS ATITUDES. Na condição de espírita cristão (redundância para enfatizar), sou contra a violência, ainda que reconheça que existe muito dela dentro de mim. A condição de espírita me coloca o dever moral de reformar-me, sob pena de maximizar meus conflitos “do outro lado” (porque eles já existem “neste lado”). Se me defino espírita cristão, devo agir enquanto tal. Nesta condição, é inconcebível legitimar processos violentos, sob quaisquer justificativas. Há quem o faça. Há quem se diga cristão e aplauda, estimule e sorria para essas atitudes. Que conviva com sua própria incoerência e se acerte com a própria consciência. 

“O Estado não funciona, é necessário que ALGUÉM faça algo...”, quase sempre é assim que os defensores dos indefensáveis justiceiros justificam as atitudes deles. Essa é uma atitude de INDIFERENTES SOCIAIS, que delegam a terceiros as responsabilidades que deviam tomar para si. “Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia”, como diria um poema do Teatro Mágico. Somos peças integrantes do Estado, que só funciona de maneira saudável com participação CIDADÃ. EXERÇA SUA CIDADANIA! Não pense que ela é um exercício que se pratica a cada dois anos nas eleições. Ela deve ser diária, constante, porque diz respeito ao nosso dia a dia. Saia do marasmo. O pior analfabeto que existe é o analfabeto político, como disse Bertolt Brecht. “O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”, já falou o escritor alemão. “Faça perguntas sem medo, /não te convenças sozinho, /mas vejas com teus olhos. /Se não descobriu por si, /na verdade não descobriu./ Confere tudo ponto, /por ponto – afinal, /você faz parte de tudo, /também vai no barco, /"aí pagar o pato, vai, /pegar no leme um dia”, acrescentaria Brecht. 

Agora, estou seguro que haja pessoas que defendam esses valores não por ignorância política, mas sim por mau-caratismo, expressão de um posicionamento político preconceituoso e excludente. Gente indiferente com relação aos pobres e sua sorte, porque defensores de interesses dos abastados. Gente que usa as redes sociais como plataforma de seus preconceitos odiosos, agindo como verdadeiras “ratazanas morais” (Wilson Gomes), que andavam pelos subterrâneos, fugidios, mas que não tem perdido oportunidades de externar os sentimentos apodrecidos que carregam. Isso para não falar dos delírios de setores da classe média, que parecem temer os mais pobres, como a supor que eles lhes fossem tomar os lugares. Os que lhes tomaram alguma coisa não foram os pobres nos programas sociais do governo federal. Os 85 mais ricos do mundo detém o mesmo patrimônio que a METADE da população mundial (pesquise você). A esses tenho, apenas, a declarar que estamos em lados opostos. Vocês venceram muitas lutas, até agora, somente que suas vitórias foram odiosas e eu jamais gostaria de estar no lugar de vocês (viva Darcy Ribeiro!). Mas vocês passarão! E eu, passarinho (grande Mário Quintana!), farei de tudo para que vocês passem! 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Passagem do (d)eficiente serviço de ônibus aumenta na cidade do Rio de Janeiro


1 - O TCM defende que o contrato deve ser cumprido. Deve haver reajuste das passagens. NO ENTANTO, o órgão FISCALIZADOR NÃO CONSIDERA os dados que obteve numa auditoria confiáveis. 

2 - O relator entende que não conceder o "reajuste" (a "pobre" ou tendenciosa matéria do jornal O Dia alterna "reajuste" e "aumento" como sinônimos) colocaria em risco a continuidade dos serviços. E isso NO MESMO DIA EM QUE A RIOÔNIBUS publica um anúncio de meia página "explicando"... "A verdadeira tarifa de ônibus no Rio"! Orquestração interessante, não?




3 - TCM diz que Prefeitura FALHOU na fiscalização.

Vamos lá então:

4 - Quais os critérios para cumprir o contrato? O que, na situação das empresas e nas relações que ela mantém com a Prefeitura, indica a necessidade de fazer cumprir o contrato no capítulo dos reajustes, uma vez que os dados levantados não são confiáveis? Como avaliar a necessidade de reajuste em cima desses dados? Passar a responsabilidade da decisão, novamente, para a Prefeitura? E o que faz o órgão que deveria fiscalizar? Encenação?

5 - Como avaliar os riscos operacionais das empresas a partir da análise de dados incompletos, não confiáveis? 

6 - A Prefeitura falhou na fiscalização? E o TCM que deveria fiscalizar as relações da Prefeitura com as empresas de ônibus, não falhou? Quanto à constatação da falha, quais providências o TCM tomará com relação à falha da Prefeitura? Ou constatou, apenas, e ponto final? Quem erra não tem que ser responsabilizado pelo seu erro?

7 - E os outros itens do contrato? Não são avaliados? Qual a idade da frota de carros, por exemplo? E a questão de horários? Qual o parecer do TCM com relação aos DEMAIS ITENS DO CONTRATO? Silêncio? Está servindo, apenas, para emprestar legitimidade ao "reajuste" das passagens e fazer pequeno teatro com a responsabilidade da Prefeitura em não fiscalizar?

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Entrevista do Prefeito Eduardo Paes ao Jornal O Dia de 25/12/2013




Conversa de comadres a entrevista do Prefeito Eduardo Paes ao Jornal O Dia, parceiro de todas as horas.

1 - O Prefeito ADMITE ERROS. Diz que os problemas das enchentes continuarão em 2014. Será que ele falaria isso ANO PASSADO, antes das eleições municipais? O que parece um ato de humildade - assumir culpa - pode ser lido de forma completamente oposta: pode tratar-se de um ato arrogante. Não recuso que ele fique incomodado com os erros, como ele apontou. Mas pode parecer, também, que nos diz algo como: "Está ruim, admito! Mas vai ser assim, não tem jeito! Não há o que fazer. Precisam ter paciência", como a sugerir-nos uma espécie de INEVITABILIDADE DOS PROBLEMAS. E se esses problemas forem ocasionados por falta de planejamento político/planejamento equivocado, como parecem ser? Uma empresa de saúde (RIOSAÚDE) foi criada em Maio através de um Projeto de Lei e as mentes pensantes da Prefeitura - cuja cabeça é o Prefeito - não sabem, exatamente, como ela vai operar. Tanto que quiseram contratar empresa para prestar consultoria... Essa possibilidade se manifesta na segunda pergunta quando diz que "tivemos um monte de problemas de projeto de ligação", ao referir-se às obras contra as enchentes. E alguém lembra do Asfalto Liso, que foi feito a toque de caixa entre o final de 2011 (ano de véspera de eleições) e 2012 (ano eleitoral)? (ver: http://oglobo.globo.com/rio/um-ano-depois-de-concluido-asfalto-liso-ja-esta-cheio-de-buracos-11138655 ) E o BRT inaugurado ano passado que apresentou problemas onde mesmo o funcionário da Sanerio (empresa responsável pela construção) disse que foi apressada? (ver: http://observatoriopolitica.blogspot.com.br/2013/01/o-brt-faz-alegria-de-quem.html ).

2 - A conversinha camarada serviu, também, para "esquentar" mais o nome do vice-governador Luiz Fernando Pezão. Do contrário... Qual seria a motivação da entrevista NESTE MOMENTO? Das perguntas, 7 trataram dos problemas relacionados às enchentes; 7 relacionadas a um evento que ocorrerá em OUTUBRO de 2014, as eleições para governador. Serviu para tentar "contagiar" a confiança de Eduardo Paes - que tem índices de aprovação melhores que o Sérgio Cabral, ainda que tenha caído também - nos potenciais eleitores. Serviu para PRESSIONAR O PT. E aqui - acho que pela primeira vez - CONCORDO COM EDUARDO PAES e faço minhas suas palavras: "Maluquice será o PT falar mal do PMDB, porque eles participaram do governo durante sete anos (...) Vai soar hipócrita fazer críticas." O PT está VISCERALMENTE ligado às políticas do PMDB do Rio de Janeiro, portanto a TODOS OS ERROS cometidos pelas gestões estaduais e municipais. 

3 - 5 (cinco) PERGUNTAS tem a ver com as formas como os políticos estão sendo vistos, muito pautadas pelas jornadas de manifestações de Junho de 2013. O que ele diz ter aprendido dos protestos? "Que é preciso abrir ainda mais o diálogo com a população". NA MESMA RESPOSTA, diz que famílias ficaram com a casa marcada para ser demolida no Morro da Providência sem saber para onde iam. Mas... Elas foram consultadas se queriam sair de lá? Basta, então, para ele, comunicar para onde elas vão? Não há o diálogo com a sociedade, com os moradores da região, a fim de serem discutidos os projetos para aquela área? Atenderiam, então, aos interesses de quem estes projetos? Da população que será removida? Da empresa que se beneficiará da obra? Dos políticos que vão tirar fotos em sua inauguração? Quando ele diz "mais diálogo" será que é como aquele estabelecido entre o pessoal do "Favela + Limpa" do Morro Pavão-Pavãozinho e o Arquiteto Mário Sá, da Secretaria Municipal de Obras? (Ver: http://paneladepressao.meurio.org.br/campaigns/395 ).

4 - Momentinho comadre quando brinca com os jornalistas dizendo que, na viagem que fez à Portugal, tinha gente fotografando para mandar para o Fernando Molica, do Jornal O Dia (e um dos entrevistadores), como a dizer "Olha por onde ele anda...". Tenho a sensação que este jornalista que, junto com o cartunista Aroeira, era um crítico mais duro da administração de Eduardo Paes, amenizou ultimamente o peso de sua mão contra o Prefeito. Mas gostaria de ler opiniões de outras pessoas que o acompanham nas páginas do jornal para saber se estou sendo rigoroso demais.

5 - Na antepenúltima pergunta que fizeram, sobre o recolhimento de pessoas em situação de rua, mostra desconforto com a postura fiscalizadora do Ministério Público (quando ele funciona e o critica por isso), bem como com os defensores dos Direitos Humanos. Não é de se surpreender que se incomode com isso, vide suas políticas de remoções, a forma como os profissionais da educação foram tratados na greve deste ano, etc.

Rio Ônibus pressiona Prefeito Eduardo Paes por aumento da passagem para 2014


1 - O Presidente da Rio Ônibus, Lélis Teixeira, pediu o aumento das passagens ao Prefeito Eduardo Paes. "NÃO TEMO PROTESTOS", disse, na oportunidade. Segundo ele, a saúde financeira das empresas de ônibus depende do aumento. Chamo a atenção para a atitude ousada, desafiadora mesmo, de não levar em conta os protestos, que ocorreram nas jornadas de Junho de 2013 cujo gatilho foi o aumento das passagens. Além disso, diz não ter receio de futuros movimentos desta natureza. Sabe que pode contar com a fidelidade canina de alguns poderosos que disponibilizam seus besouros fardados que costumam espancar manifestantes. 

2 - O Prefeito Eduardo Paes voltou a afirmar que o aumento é contratual. SEGUNDO A MATÉRIA, a passagem passaria dos atuais R$: 2,75 para R$: 3,05. "Não quero que o Rio seja uma cidade que não cumpre contrato e não vou fazer populismo barato", disse o Prefeito. Gostaria de saber se nesse contrato não consta:

2.1 - Pontualidade dos ônibus;
2.2 - Ônibus confortáveis e em boas condições de uso;

E a quem a gente cobra a parte do trânsito que deve funcionar direito? Ao papa? 

Fazer "populismo barato" é pagar o justo valor de um serviço de qualidade questionável? Está governando para quem, prefeito?

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Uso político-partidário de órgãos públicos?







            A matéria do jornal O Dia de hoje (23/12/2013, p. 4) relacionada ao DETRAN dá conta que a Justiça teria evidências do gerenciamento político de um esquema de corrupção neste órgão. O Deputado Estadual Coronel Jairo, do PMDB estaria ligado a uma quadrilha que movimentava R$: 2 milhões de reais por mês na legalização de carros irregulares. O grupo, ou quadrilha, seria indicação do parlamentar, que seria conhecido como “o dono do Detran de Campo Grande” para trabalhar na empresa Facility, responsável pelo recrutamento dos funcionários terceirizados do posto. O “esquema” seria supervisionado pelo chefe do posto, também indicado pelo parlamentar.
            Questionado pela reportagem, o Deputado Estadual Coronel Jairo, do PMDB, parece contradizer-se. Quando perguntado se foi o responsável pelo ingresso das pessoas envolvidas no Detran de Campo Grande, diz que “Essas pessoas não são nomeadas pelo político”. Mais adiante, no entanto, diz que “O governo pede que indique pessoas para fazer cursos lá (...) a gente manda lá pro governo o nome de 100, 200 pessoas, e só umas 20 é que é (sic) aprovada (...) eu só indiquei para o governo uns 100, só botaram 20”.
            Ainda segundo a reportagem, parte do dinheiro arrecadado com as propinas seria destinada à campanha política, sendo que em 2012 os recursos obtidos teriam subsidiado a candidatura do vereador Jairinho (atualmente, no recém fundado PROS – Partido Republicano da Ordem Social). O chefe do posto obrigaria os funcionários a conseguir votos para o candidato.
            Algumas observações:
Não é de se espantar que ocorra outro escândalo envolvendo políticos do PMDB. Segundo o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, o partido é o 2º colocado no Ranking dos que tem o maior número de deputados cassados por corrupção desde o ano 2000. Ver: http://camaraempauta.com.br/portal/artigo/ver/id/2463/nome/MCCE_divulga_ranking_da_corrupcao_por_partido).  
São tantas as empresas prestadoras de serviços para a administração pública, num tempo onde os “Jestores” parecem desacreditar do Serviço Público realizado por Servidores Públicos concursados. Mas... Será mesmo que desacreditam? Ou será que o combate que travam CONTRA os Servidores Públicos (precarizando salários, carreiras e condições de trabalho) não tem a ver com o interesse de fazer dos empregos na administração pública moeda de troca eleitoral. Antigamente – acho que antes da Constituição de 1988 – muita gente ingressou no Serviço Público “pela janela”, através de alguma indicação política. Quando a possibilidade encerrou-se, admitindo-se, apenas, a contratação de Servidores Públicos via Concurso Público, certos políticos com práticas políticas viciosas viram-se impedidos de lançarem mão do expediente para colocarem seus simpatizantes ou cabos eleitorais. Os Cargos de Confiança na Administração Pública (DAIs, DASs, etc) substituíram isso UM POUCO. Mas... E o cabo eleitoral “comum”, que às vezes tem pretensões político-partidárias? E o eleitor comum? Como ser agradado pelo político de práticas viciosas? Como “encaixar” alguém na Administração Pública senão através de alguma empresa “amiga”, prestadora de Serviços? Lembro-me de ter ouvido relatos, não confirmados, de políticos influenciando na contratação de mão de obra terceirizada. E agora vemos, na reportagem, algo muito próximo disso. De acordo com a reportagem de O Dia, o Deputado Estadual Coronel Jairo, do PMDB, estaria conseguindo postos de trabalho para algumas pessoas na Facility. Ele diz que não nomeia, MAS ADMITE QUE INDICA, ATENDENDO SOLICITAÇÃO DO GOVERNO. E o pessoal contratado teria que fazer o papel de cabo eleitoral. Nas eleições de 2012, teriam pedido votos para o filho do Deputado Estadual, o Vereador “Jairinho”, do PROS. Parece que vocação para a Política é genética em algumas famílias, não...?

A Facility é velha conhecida do noticiário. Em 2011, o Ministério Público (sim, as vezes funciona!) teria apresentado denúncia por formação de cartel contra os donos da empresa, que seria a maior fornecedora de mão de obra do Estado (Ver: http://oglobo.globo.com/rio/mp-denuncia-grupo-facility-por-formacao-de-cartel-em-servicos-de-mao-de-obra-do-detran-2841193 ). De acordo com a matéria, “na denúncia, o MP afirma que Arthur se reunia com os outros empresários para combinar as disputas. Com isso, as empresas do grupo Facility venciam as consultas de preços ou pregões realizados pelo Detran para a contratação de serviços nas áreas de limpeza, segurança patrimonial e processamento de dados (...) O MP critica também o argumento usado pelo Detran para a dispensa de licitação de alguns contratos que foram renovados. O órgão sustentava que os serviços eram essenciais e não poderiam ser interrompidos até que fosse realizada uma nova concorrência. Para os promotores, as renovações ocorreram com base na "morosidade da própria administração, que, propositadamente, não concluía os procedimentos de licitações em tempo". .. De empresas com condutas suspeitas o Governo do Estado do Rio de Janeiro se entende bem... Relembrem esta matéria do Jornal do Brasil: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/03/29/governo-do-rio-afasta-pequenas-mas-mantem-contratos-com-empresas-suspeitas/

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Se você não for "índio", não pode protestar a favor deles



Reparem no tratamento dado por dois grandes jornais cariocas às manifestações ocorridas ontem no Hotel Novo Mundo, no Flamengo.

1 - A primeira frase da matéria "Era para ser uma conversa de índio para índio (...)". Como assim, cara pálida? Com quem os índios estavam conversando? Ah, com a Secretária de Cultura (não diz se Estadual ou Municipal, mas sabemos que é a primeira alternativa). Adriana Rattes pode ser descendente de índios. Um estudo genético poderia dizer isso ou não. Mas... Na atual reencarnação, ela NÃO É ÍNDIA nem tem parentesco próximo;

2 - A legenda da foto que colocaram na matéria (só aparece a legenda e o pé da foto) e o segundo quadro insistem num ponto: os manifestantes NÃO TINHAM CARACTERÍSTICAS COMPATÍVEIS COM ÍNDIOS. Dos 50 manifestantes, apenas dois se enquadrariam no perfil de índio imaginado pelo jornal. Aliás, a Secretária Estadual de Cultura também não se enquadra nele. Ora, então se os manifestantes, "que seriam contra tudo e todos" são desqualificados por não serem índios, a representante do Estado do Rio de Janeiro também não deveria ser "índia" para dialogar com eles, já se tratava-se de uma conversa de "índio para índio"? No mais, o argumento proposto pelo jornal é perigoso. 

2.1 - Então, aqueles que durante a Segunda Guerra Mundial, nos países ocupados pelos nazistas, e que esconderam judeus perseguidos pela política racista de Hitler SEM SEREM JUDEUS erraram por ajudá-los? 

2.2 - Os brancos que eram contrários à escravidão de negros, no século XIX, não o deviam ser porque eram brancos? 

2.3 - Os brancos, os amarelos, os índios (e quantos mais vocês quiserem) não devem ser solidários aos negros que, ainda hoje, sofrem com o RACISMO no Brasil? 

2.4 - Não se deve ser solidário aos homossexuais que são vítimas de violências porque não se é homossexual?

Perceberam o abismo que a argumentação do jornal O Dia cria entre as pessoas? Se não for do seu grupo, religião, etnia, etc, DEIXE DE LADO. NÃO SE SOLIDARIZE, porque a causa NÃO É SUA. A causa dos índios, dos negros, dos homossexuais que sofrem violências É DE TODO SER QUE SE DIZ HUMANO. 

3 - O jornal O Dia não deixa clara a procedência dos manifestante nem dá voz à causa deles. Tentando fazer uma leitura a contrapelo, dá para deduzir algumas coisas. Ao citarem o índio Guajajara, que foi retirado à força da árvore do Museu do Índio, dá para deduzir que se tratava de pessoas solidárias aos que ocupavam este espaço. Guajajara reclama de FALTA DE DIÁLOGO e diz que os representantes indígenas ali presentes não os representavam. Os que estavam presentes ao encontro pareciam tentar articular uma proposta conciliatória com a Copa do Mundo, tentando auferir benefícios do evento, o que vários segmentos dos movimentos sociais vem criticando. No jornal O Globo (ver: http://oglobo.globo.com/rio/manifestantes-invadem-hotel-novo-mundo-no-flamengo-11105413 ) a secretária diz ser necessário discutir a Aldeia Maracanã. Ora, com quem? Com quem não estava presente antes? Ambos os jornais NÃO DÃO CONTA das propostas em disputa naquele momento. Não descem a especificidades de cada uma delas. Por quê? Receio que a adesão à proposta dos ocupantes da Aldeia Maracanã fosse mais aceita pelos seus leitores? Querem saber a que interesses os jornais servem? Não os deixe de ler e repare nos seus anunciantes, nos seus editoriais, na forma como impessoalizam ou irracionalizam as causas.