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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Quem é Pedro Paulo Carvalho Teixeira, candidato de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016

(Clique nas imagens para ampliá-las e ler o conteúdo)

 1 - A parceria de Pedro Paulo com Eduardo Paes (ambos do PMDB) é longa e tem início quando este ocupava a Subprefeitura da Barra e Jacarepaguá no primeiro mandato de Prefeito de Cesar Maia, no início da década de 1990. Seu perfil traz informações curiosas.



O print da tela é do ano passado (2014), ocasião em que ele tinha 41 anos de idade, dos quais teria dedicado 20 anos à vida pública. Consta, também, que teria trabalhado no mercado financeiro, onde adquirira experiência em gestão. Se ele começou a se dedicar à vida pública com 21 anos, quando trabalhou no mercado financeiro? Para mim, a dele parece mais a trajetória de um homem que pretende fazer da Política sua PROFISSÃO. Trajetória, diga-se de passagem, muito parecida com a de Eduardo Paes e alguns filhos de políticos com cargos públicos que, também, parecem enxergar na atividade política uma carreira profissional.

2 - Uma "entrevista" publicada em seu site sinaliza, também, para a imagem que Pedro Paulo quer fazer de si para o público eleitor, ao mesmo tempo em que reforça-nos a certeza de tratar-se de um político carreirista, que pretende fazer da vida pública sua profissão. Referindo-se ao desejo de tornar-se Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, justifica sua candidatura, em primeiro lugar, pelo fato das urnas representarem, para ele, o termômetro da qualidade de seu trabalho, como se outros políticos de atuação e qualidade duvidosa não fossem capazes de receber muitos votos. Em seguida, alega que a "união" entre Prefeitura do Rio de Janeiro, Governo do Estado e Presidência da República não encontraria eco na Câmara dos Deputados e, por isso, postulava-se como alguém que lutaria "pelo nosso canto"Diz claramente, na segunda pergunta (imagem abaixo) "Eu me preparei para essa tarefa. Estudei, adquiri experiência e me dedico à vida pública com exclusividade" e coloca-se, por fim, como "vigilante e defensor incondicional dos interesses do Rio".  Ou seja, preparou-se para viver da Política! 



ENTRETANTO, sua atuação no Plenário do Congresso Nacional foi mínima, como se pode perceber:


2011: 




Presença: De 1/2/2011 a 1/3/2011.


2012:





Presença: De 19/6/2012 a 7/11/2012.


2013:





Presença: De 4/2/2013 A 6/3/2013.


2014 (ATÉ 12/1/2014. Em 21/04/2015, o site não disponibiliza o ano anterior): 





AUSENTE.


2015 (Até 21/04/2015):





Presença: 1 a 11/02/2015.


No curtíssimo período de exercício dos dois mandatos como Deputado Federal (eleito em 2010 e reeleito em 2014), apresentou 11 Projetos de Lei, um Requerimento de Desarquivamento de Proposições e uma Sugestão de Emenda ao Orçamento. Destes Projetos de Lei e Proposições:



3 foram apresentados em 2011;


6 foram apresentados em 2014;

2 foram apresentados em 2015.

Tenham em vista que, em 2014, ano de maior atuação, Pedro Paulo já pretendia tornar-se candidato à reeleição para o cargo de Deputado Federal. Além disso, podemos perceber que sua estratégia, junto a seus leitores (para dar alguma satisfação, afinal votaram nele) e os potenciais leitores ("vendendo" a imagem de bom candidato), foi a de exercer o mandato para o qual foi eleito no início e no final da Legislatura (2011 - 2014). Nesta Legislatura (2015 - 2018), parece estar fazendo o mesmo. 

Pense, agora, na situação dos seus eleitores: confiaram o voto para alguém que disse que estaria lá, no Congresso Nacional, defendendo os interesses do Rio de Janeiro E NÃO ESTÁ! Pouco esteve! "Ah, está servindo a seus eleitores atuando na Casa Civil da Prefeitura ou na Secretaria Executiva de Coordenação de Governo!" Desculpa, não convence. Se ele se candidatou na época em que JÁ ERA SECRETÁRIO DA CASA CIVIL, em 2010, poderíamos presumir que fosse SAIR DA CASA CIVIL para EXERCER SEU MANDATO PARLAMENTAR. Do contrário, não sairia candidato. Qualquer pessoa razoável faria esse raciocínio, que deveria ser feito, INCLUSIVE, pelo candidato. POR QUE, ENTÃO, SE CANDIDATOU À DEPUTADO FEDERAL SE NÃO PLANEJAVA EXERCER O MANDATO PARLAMENTAR? E atentem que Pedro Paulo faz isso pela segunda vez! O que pensar de alguém que diz que vai fazer uma coisa e faz outra? Que mentiu


3 - De acordo com o jornal Extra de 16/12/2014, Pedro Paulo é acusado de uso indevido de bens públicos. "O Ministério Público eleitoral propôs uma representação contra o parlamentar por conduta vedada aos agentes públicos em campanha eleitoral." Ele e Edimar Teixeira "teriam divulgado em redes sociais que obras em ruas do bairro Cosmo, na Zona Norte do Rio, seriam realizações deles.
A legislação diz que agentes públicos não podem usar bens do estado para beneficiar candidatos em campanha." 


Leia a matéria completa aqui: http://extra.globo.com/noticias/extra-extra/deputado-pedro-paulo-acusado-de-uso-indevido-de-bens-publicos-14846957.html 


Em todo caso, parece que ele tem dificuldades em respeitar as regras do jogo democrático, além de ligar pouco para a questão de fidelidade partidária que tem a ver com coerência ideológica. Mas... Será que ele sabe o que é isso? Será que se importa com isso? Pelo visto, demonstra desprezo tanto pelas regras eleitorais quanto pela coerência ideológica.



Durante a última campanha eleitoral (2014), no Twitter, o usuário @thiagoherdy marcou o perfil do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro naquela rede social e questionou Pedro Paulo, que teria tentado obter os "louros" de uma obra da RIOLUZ. 




Desconheço se o Tribunal Regional Eleitoral do RJ (TRE-RJ) se manifestou a respeito disso. Pode ser que lideranças locais, com pretensões eleitorais, tentem colar sua imagem à de algum político que já esteja inserido na atividade pública. Agora, seria possível que os pleitos destas lideranças locais por serviços públicos para determinada região e/ou pessoa sejam "intermediados" por estes políticos já estabelecidos, de maneira que os dois possam conseguir dividendos políticos? 

Em finais de Outubro de 2015, Eduardo Paes, buscando dar visibilidade política à seu secretário preferido, DESAFIOU a Justiça Eleitoral, afirmando: "Está aqui o futuro prefeito do Rio, Pedro Paulo. Até que a Justiça Eleitoral me impeça, vou mesmo continuar pedindo votos". O TRE-RJ passou, solenemente, a batata quente ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O fiscal da Lei tomará alguma providência ou sentiremos cheiro de pizza ao forno?



Veja o "desafio" de Eduardo Paes à Justiça Eleitoral neste link: http://oglobo.globo.com/brasil/acusacao-de-agressao-abala-nucleo-politico-de-eduardo-paes-17939818 

Marcello Rubioli, coordenador da Fiscalização da Propaganda do Tribunal Regional Eleitoral, em entrevista ao jornal O Dia, publicada em 29 de Setembro de 2016, afirma que Pedro Paulo e Eduardo Paes são campeões em infrações à Lei Eleitoral. 


Leia a entrevista completa:
http://blogs.odia.ig.com.br/justicaecidadania/2016/09/29/apreendemos-um-trio-eletrico-diz-marcello-rubioli/ 

4 - Pedro Paulo, nas redes sociais, especificamente no Twitter, não mostra-se como uma pessoa que tenha equilíbrio e serenidade para militar na vida Política. Nos momentos em que é contestado, publicamente, seu comportamento oscila da ironia, sarcasmo e deboches até a mais completa deselegância e grosseria. Eis alguns exemplos. Se você não estiver acreditando que uma pessoa pública, Deputado Federal reeleito e Secretário Municipal de Coordenação de Governo tenha essa postura, confira, pessoalmente, nos links abaixo das imagens:







O exercício do poder por parte de alguém que trata seus interlocutores com arrogância e grosseria faz com que, as vezes, Pedro Paulo confunda-se um pouco. Provavelmente debatendo com Profissionais da Educação grevistas em 2013, Pedro Paulo, na condição de Secretário Municipal da Casa Civil pede respeito alegando que foi eleito. Uma das debatedoras, Rafaela Amaro (@rafasamaro) questiona, com propriedade: "O Sr. foi eleito para ser secretário da Casa Civil?" Pedro Paulo, naquele momento, de forma equivocada, falava como quem estivesse exercendo um mandato que, como vimos acima, pouco exerceu. Além disso, dá a entender que, pelo fato de ter sido eleito - ainda que para um cargo que, naquele momento, não exercesse (Deputado Federa) - lhe desse o direito de não ser cobrado com veemência no exercício de outro cargo.  




5 - No que diz respeito à Saúde Pública, Pedro Paulo acredita que as Organizações Sociais (OSs), trariam "melhoria no atendimento à população". PORÉM, a falta de médicos, os gastos excessivos das UPAs (geridas por OSs), profissionais de Saúde sem salários e a falta de materiais marcam a trajetória dessa opção de Política Pública de Saúde ineficiente, como se pode perceber, em mais detalhes,  por aqui: 
http://observatoriopolitica.blogspot.com.br/2011/11/pedro-paulo-secretario-da-casa-civil-da.html 
 
6 - Quanto aos Servidores Públicos, durante o período em que esteve à frente da Secretaria Municipal da Casa Civil, Pedro Paulo engambelava, tentava distrair os Servidores, enrolando-os (e muita gente acredita/acreditava em suas "historinhas"). Dizia que política de valorização da Prefeitura do Rio de Janeiro se dava através da Meritocracia, que não poderia melhorar os salários do funcionalismo porque a cidade necessitava de mais investimentos, paradoxalmente ao mesmo tempo em que afirmava que o momento exigia "prudência e responsabilidade". A verdade demonstra que a Prefeitura do Rio de Janeiro, com Pedro Paulo à frente de assuntos relacionados aos Servidores, OPTOU por uma política de meritocracia pouco clara, com critérios obscuros. Além disso, nos debates com os Servidores, OMITIU que houve AUMENTO NA ARRECADAÇÃO, que a Prefeitura praticou ISENÇÕES FISCAIS e que, entre 2008 e 2012, SOBROU DINHEIRO NOS COFRES PÚBLICOS. Veja em mais detalhes aqui: 
http://observatoriopolitica.blogspot.com.br/2013/07/podem-dar-ganhos-reais-aos-servidores.html 

7 - Pedro Paulo bate em mulher. Em 2010, agrediu sua ex-esposa, Alexandra Mendes Marcondes.



"O GLOBO também obteve os laudos dos exames de corpo de delito de Alexandra e de Pedro Paulo feitos no Instituto Médico-Legal (IML), que confirmaram que ela sofreu agressões."

Veja mais em: http://oglobo.globo.com/brasil/acusacao-de-agressao-abala-nucleo-politico-de-eduardo-paes-17939818 


Aqui, o Laudo:




Em 12/11/2015, de acordo com o site do jornal O Dia, Pedro Paulo teria dito: "Quando questionado se considerava normal as brigas com a ex, disparou: "Quem é que não tem uma briga, um descontrole, um exagero. Nós vivemos momentos de amor e ódio"." 
Veja aqui: http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-11-12/pedro-paulo-minimiza-agressoes-a-ex-quem-nao-tem-uma-briga-um-exagero.html  

E aqui também: http://nao.usem.xyz/7vf5

Em 6 de Março de 2010, o ex-goleiro Bruno, que jogou no Flamengo, disse algo parecido: 

"- Muitos que são casados sabem que, às vezes, em um relacionamento, é preciso uma discussão, ou até mesmo algo mais sério. Quem nunca brigou ou até saiu na mão com a mulher? Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, xará. Quando a adrenalina está alta não tem lugar - afirmou."




Veja aqui: 

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2014/03/ha-quatro-anos-bruno-soltava-quem-nunca-saiu-na-mao-com-uma-mulher.html 

Ah... E não teria batido uma vez só na ex-esposa, como declarou.



Leia mais aqui: 

http://epoca.globo.com/tempo/expresso/noticia/2015/11/ex-mulher-de-pedro-paulo-prestou-queixa-contra-ele-por-agressao-ja-em-2008.html

A reportagem da Revista Época divulgou, em 19 de Novembro de 2015, OUTRO CASO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA de Pedro Paulo. Para quem disse que foi "apenas" uma vez... 



"O novo documento foi registrado no dia 4 de agosto de 2010. Alexandra foi à 16ª delegacia de polícia da Barra da Tijuca para prestar queixa contra Pedro Paulo, com quem fora casada por sete anos e de quem se separara havia cerca de sete meses. Alexandra relata que Pedro Paulo a “ameaçava constantemente”, reforçando registro que ela fizera na Delegacia da Mulher em fevereiro daquele mesmo ano."

"Segundo o registro de ocorrência, que gerou o inquérito de número 016-08687-2010, Pedro Paulo “diariamente liga para a declarante (Alexandra) e para a mãe da mesma, dizendo que vai tirar a guarda da criança e que vai sumir com ela”. Alexandra disse aos policiais que Pedro Paulo foi até o prédio onde ela morava no dia anterior, subiu sem autorização e passou a chutar a porta do apartamento dela. Como Alexandra disse a ele que chamaria a polícia, Pedro Paulo foi embora. No dia em que o boletim de ocorrência foi lavrado, segundo o relato de Alexandra, Pedro Paulo voltou ao apartamento dela, chutou a porta e disse que “domingo, dia dos Pais, iria pegar a criança e sumir com ela”. Pedro Paulo só parou, de acordo com Alexandra, após a chegada dos seguranças do prédio."

Leia a reportagem completa aqui: 
http://epoca.globo.com/tempo/expresso/noticia/2015/11/pedro-paulo-ameacou-sumir-com-filha-disse-sua-ex-mulher-policia.html 

A agressão foi admitida por Pedro Paulo:



Veja completo aqui: 
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/11/1702522-secretario-de-paes-admite-agressao-a-mulher-e-diz-que-episodio-foi-superado.shtml 

Em realidade, a violência parece fazer parte do cotidiano do Prefeito Eduardo Paes e das pessoas que o cercam, inclusive, claro, Pedro Paulo, seu predileto. O Blog do Felipe Moura Brasil, da Revista Veja, publicou em 19 de Novembro de 2015 um histórico de violências dos membros do gabinete do atual Prefeito do PMDB.



A reportagem aborda episódios de desequilíbrio e violência de Eduardo Paes, Pedro Paulo, Bernardo Fellows (subchefe de gabinete de Eduardo Paes), David Carlos Pereira Neto (subsecretário executivo, apontado como "braço-direito" de Pedro Paulo) e Alex Costa (secretário de Ordem Pública). Veja: 
http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/cultura/a-prefeitura-macaranduba-da-cidade-olimpica/ 

8 - De acordo com o jornalista Fernando Molica, do Jornal O Dia - periódico que, diga-se de passagem, apoia abertamente a gestão de Eduardo Paes - Pedro Paulo já foi réu por homicídio culposo, além de ser, digamos, um pouco "esquecido" com suas contas. Em outras palavras, mau pagador





http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-11-10/pre-candidato-a-prefeitura-pedro-paulo-ja-foi-reu-por-homicidio-culposo.html


9 - E não é que o Pedro Paulo MENTIU até sobre sua formação acadêmica? E o fez tanto no site da Prefeitura do Rio de Janeiro, conforme nota do Fernando Molica no Jornal O Dia, como também no seu site pessoal. Disse que possuía Mestrado em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e, na verdade, não tem, como vocês podem ver aqui:




Veja: http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-11-14/curriculo-de-pedro-paulo-apresenta-informacao-errada-no-site-da-prefeitura.html 

O site dele: http://www.pedropaulo.ecn.br/#Perfil


Já deu pra ver que não é um cara legal, né?

domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre a descrença nos políticos

1 - Concordo que existem muitos deputados, vereadores e senadores canalhas, do mal, corruptos, etc. Somente que estas pessoas não chegam ao poder sozinhas. São pessoas que os elegem, pessoas que, de alguma forma se identificam com as propostas ou valores destes políticos. Em última análise, os políticos não refletem a maioria da população do local e, por consequência, seus eleitores? Será que não existem servidores públicos que se comportam como estes políticos? Será que, enquanto cidadãos, todos tem comportamento exemplar?

2 - Colocar os políticos num lugar comum, como se todos fossem parecidos (corruptos, mal intencionados, etc.), é cometer injustiça com os demais que procuram fazer algo para mudar a realidade. São poucos? Quem sabe? Qual é a proporção dos homens de bem na sociedade em que vivemos? Será que prevalecem?

3 - Penso que dizer que todos os deputados, senadores e vereadores são nocivos é perigoso para a Democracia. Daqui a pouco aparecerá alguém dizendo que na época da Ditadura as coisas eram melhores, que não existia tanta roubalheira, quando, na verdade, isso nunca deixou de existir. Discursos dessa natureza (de desqualificação dos políticos e da política) tem dois efeitos:
3.1 - Servir de pano de fundo para alguém com tendências ditatoriais, que se mostre como o "salvador da pátria", gerando todos os transtornos de uma ditadura;
3.2 - DESPOLITIZAR a população. Fazer com que as pessoas percam a crença de que existem boas pessoas dispostas a fazer política com decência. Ao despolitizarmo-nos, abrimos campo para políticos conservadores, que não desejam alterações no status quo, que longe de resolverem, manterão, ou aumentarão, os abismos sociais.

4 - Por fim, será que nós que reclamamos dos políticos fazemos a nossa parte, ou passamos um cheque em branco para eles e esperamos quatro anos para vermos o que acontece? Alguém se lembra de quem votou para Vereador em 2008? Para não ir tão longe, alguém lembra dos seus candidatos para deputado estadual e federal nas eleições do ano passado? E para senador? Quem fiscaliza seu parlamentar? Será que o descaramento dos políticos que roubam não tem haver com a omissão de seus eleitores?

sábado, 13 de agosto de 2011

Como escolher um candidato?


            Eleições vão, eleições vêm e nós, eleitores comuns, não filiados a nenhum partido político, continuamos com a velha dificuldade de escolher candidatos a cargos públicos. Evidente que, por questões ideológicas, simpatizamos mais com determinados partidos políticos que outros. Uns posicionam-se a esquerda do espectro das forças políticas, outros à direita. Alguns procuram conciliar ambas as posições, retirando elementos de uma e outra, compondo o que se pode chamar de centro-esquerda ou centro-direita. É certo que presentemente muitos partidos não estão preocupados com ideologias ou programas, o que é verificável na internet, em seus sites, mas principalmente, na prática política de seus filiados, interessados apenas no atendimento de seus interesses e nos daqueles que o financiaram. Pensando essas questões, elenquei alguns itens que considero importantes na escolha de um candidato político.
1. Que seja reconhecidamente honesto. Que não esteja respondendo, na justiça, por qualquer crime, principalmente aqueles que atentam contra a vida e contra o patrimônio público. Penso que algum político, nesta situação deva, antes de candidatar-se, esperar que seu processo seja transitado em julgado, a fim de que se encontre em condições plenas de exercer, com dignidade, o mandato que pretende alcançar. Políticos que, no passado, defenderam/legitimaram atividades ilegais, não merecem a minha confiança.
2. Que não seja político profissional. Existem políticos, no atual cenário brasileiro, que nunca tiveram uma profissão fora da política. Formaram-se em algum curso superior e ingressaram, imediatamente, na política partidária, conseguindo, muitas vezes, cargos públicos ainda muito jovens. Não desdenho da capacidade do jovem. Repudio o oportunismo político de quem vislumbra fazer carreira apenas na política, desprezando a atividade profissional remunerada, seja na iniciativa pública, seja na particular. Para mim, fica muito claro que o interesse de certos jovens, ao assumirem cedo estas responsabilidades em cargos públicos, é o de transformarem-se em profissionais da política. Aprendi muito nos anos de atividade profissional. Foram fundamentais para a minha formação enquanto ser humano. Penso que estes conhecimentos, adquiridos na prática profissional, dão um “choque de realidade” necessário ao homem público. Lastimo aqueles políticos que se vangloriam de afirmarem que são parlamentares (deputado federal, estadual, vereador) há 8, 12, 16 anos ou mais. E isso, muitas vezes, sem fazerem nada de relevante.
3. Que não tenham parentes políticos. Parece que os políticos que inserem seus familiares na Política querem dar a impressão de terem esse “talento” no DNA da família. E aí entram irmãos, filhos, esposas, sobrinhos e todas as ramificações da árvore genealógica possíveis. É evidente que a prática não é nova nem aqui, nem em outras partes do mundo. Ela remonta, certamente, às práticas de poder local de monarcas (e as sucessões hereditárias do poder), bem como às famílias mais poderosas que ocupavam cargos públicos ou desempenhavam atividade parlamentar, muito típico aqui no Brasil. Os mais antigos na política procuram, nas eleições, servir de plataforma para seus parentes novatos na política, procurando transferir para eles a confiabilidade que seus eleitores depositaram neles. E aí temos patriarcas que são deputados federais, com filhos ocupando cargos de deputado estadual e vereador e já pensando nas possibilidades dos irmãos mais novos. Há filhos de políticos que se lançam às eleições depois de ocuparem postos chaves em Juventudes partidárias, num esforço de ganharem representatividade interna, somada à já existente por serem filhos de algum figurão da política. Para mim, é bem claro que estes “herdeiros políticos” desejam fazer carreira profissional na política, nos moldes do que expus no item 2.
4. Que tenha programa político e deixe claro seu posicionamento ideológico. A despeito de alguns partidos políticos desprezarem a existência de um programa político, bem como as ideologias de seus partidários, considero isso fundamental. Dessa forma, já descarto também estes partidos “nebulosos”, que funcionam como legendas de aluguel para políticos oportunistas. Quase sempre, os políticos que não demonstram sua carta de intenções e nem proclamam seu posicionamento político claramente (direita, esquerda, centro-esquerda, etc.) preferem estas legendas. Mas não é via de regra, evidentemente. E não me falem que não existem mais ideologias. A morte das ideologias, como diz Paulo Freire, é ideologizada. Apagar as ideologias é o desejo de muitos que defendem soluções “técnicas” que figuram, em última análise, como “caminhos únicos” a seguir, “únicas alternativas” para a solução de determinados problemas econômicos e sociais, quando toda escolha que se faça, via de regra, é política, diz respeito a crenças, visões de mundo e posicionamentos políticos, ainda que não declarados explicitamente.
5. Que se posicione a favor da classe trabalhadora e defenda seus interesses. Dificilmente a grande maioria dos políticos faz propostas claras que atentem contra os interesses dos trabalhadores. Quando muito, fazem promessas mais “gerais”, nada específicas, o que lhes dá respaldo para manobrarem quando lhes convenha. Políticos que não são favoráveis a aumento de salários, à redução de jornadas de trabalho, que não defendam o servidor público e que pretendam reduzir direitos da classe trabalhadora com discursos de flexibilização da legislação trabalhista não merecem o meu voto.
6. Que defendam o Serviço Público de qualidade, promovido por servidores de carreira, concursados e que sejam contrários a qualquer tipo de privatização. Observamos, presentemente, um esforço de desmantelamento do serviço público que não começou agora, que vem operando gradualmente em diversas vias, quais sejam:
6.1. A precarização das condições de trabalho;
6.2. Baixos salários;
6.3. Falta de incentivos para melhor qualificação dos servidores;
6.4. Terceirizações que operam da seguinte forma:
6.4.1. Na gestão de unidades públicas, como as Organizações Sociais, atualmente na moda, sem comprovada eficácia;
6.4.2. Na presença de funcionários terceirizados, que muitas vezes recebem salários menores e não tem respeitados seus direitos trabalhistas. Em algumas situações, ganham melhor que os servidores para desempenharem as mesmas tarefas que estes (Ex.: Médicos contratados por Organizações Sociais na cidade do Rio de Janeiro).
7. Que mantenham contato com os eleitores de todas as formas possíveis e que, quando eleitos, prestem contas de suas ações. Muita gente só encontra os políticos no período eleitoral, onde eles andam, alegremente, pelas ruas, apertando mãos, dando abraços, segurando crianças de colo, conversando “atentamente” com potenciais eleitores, comendo comidas que, para eles, são exóticas (porque não habituados)... Enfim, procuram visibilidade. Procuram mostrar-se o mais próximo das pessoas, como se fosse um deles, um legítimo representante dos interesses do povo. Depois das eleições, somem, evaporam. Se conseguirem seu telefone e endereço é apenas para lhes mandar, no seu aniversário, uma cartinha felicitando-lhe e, nas eleições, sua propaganda através de mala direta. Quando procurados, principalmente, pela internet, ferramenta interessante para contato entre pessoas, quase sempre não se dignam responder-lhe as indagações. Quando o fazem, confrontados por perguntas “desconfortáveis” ensaiam uma evasiva, dão uma opinião bem geral, que não lhes comprometa. Escutar alguma sugestão sua? É período de (re)eleição? Se for, podem te escutar, se não for, vai ter que esperar até que seja...
8. Que não troque de partido como trocamos de meias. Olha, ninguém leva a sério aquela pessoa que vive trocando de time de futebol. O “vira-casaca” é sinônimo de alguém que não entende nada de futebol ou, quando muito, de oportunista, porque quase sempre escolhe o “time da moda” para torcer. Ora, merece crédito aquele político que vive trocando de partido de acordo com seus interesses? Quase sempre estes políticos “espertinhos” migram para partidos de ideologia não definida, que lhes servem de legendas de aluguel. Quando são vencidos aí por outros que são como ele, quando seus interesses são abafados pelos interesses de outros políticos como ele, resolve sair, quando não fundar um partido. Não confio em político assim.
9. Político que não tenha “Centro Social”. Estes locais oferecem diversos serviços à população que o poder público oferece ou poderia oferecer. Atendimentos médicos e odontológicos, “empréstimo de ambulâncias”, aulas de artes marciais e por aí a fora. Para mim fica claro que a intenção destes políticos é a de conquistarem fidelidades das pessoas que recebem os serviços aí oferecidos. Agora pensemos juntos: se o político tem um Centro Social que oferece tratamento dentário, por exemplo, ele se importará com o atendimento de quem necessite de dentista, caso ele seja vereador, por exemplo? Será que se o eleitor encontrar dentista no Posto de Saúde que ofereça serviço de qualidade, ele procurará o Centro Social do político? Então, para mim, o político que tem Centro Social lança mão da precariedade da oferta de serviços públicos para alimentar uma clientela que tem potencial de se transformar em seus eleitores. Se ele se vale dessa precariedade do serviço público, ele não tem interesse em melhorá-lo, pois do contrário, o Posto de Saúde concorrerá com seu Centro Social.
10. Políticos que não estendem faixas de agradecimento por suas realizações. Muitos podem alegar que não foram os próprios políticos que estenderam estas faixas. Verdade. Mas as pessoas que recorreram a eles, que tem interesses políticos e partidários sim. E esses políticos não se aborrecem com isso... Dessa forma, fazem propaganda eleitoral muitas vezes fora de época. Além disso, constroem a imagem do político como alguém que, ao realizar algo em benefício de determinada comunidade/bairro, está realizando um favor, e não uma obrigação, como de fato o é. O político foi eleito para lutar pela melhoria dos serviços prestados à população. O que ele faz não é favor. Ele está ali para isso. Quem cumpre seu dever não faz nada demais.
            Evidente que o assunto não se esgota aqui. Outros pontos podem ser levantados, alguns destes podem ser suprimidos. Tudo isso de acordo com a visão política de cada um. Estes pontos dizem respeito àquilo que acredito necessário para o indivíduo que deseja ingressar na Política mantendo postura ética adequada. Dizem respeito, também, as minhas crenças políticas.