sábado, 26 de maio de 2007

Fragmentos de artigos de Fausto Wolff, Aldir Blanc e Mauro Santayana no Jornal do Brasil de 25 de Maio de 2007

Tão perto de mim distante...
Fausto Wolff –
faustowolff@jb.com.br

“(...) Somos os campeões mundiais em desigualdade social. No Brasil, enquanto 100 milhões de crianças pedem dinheiro para comprar um sanduíche, um outro garoto ganha do pai um iate que vale mais que todos os sanduíches. Para cada milhão de crianças que vai para a escola e para o crime, dois filhinhos de papai vão de mordomo e guarda-costas ao colégio.”

Navalhadas
Aldir Blanc

“Navalha na carne de quem? Do povo brasileiro. A ação da Polícia Federal é meritória mas já choveram os tradicionais hábeas-corpus que unem os canais de compromisso.”

“(...) O que a operação Navalha mostrou? Os mesmos criminosos de sempre, de avô pra filhos e netos, nas capitanias hereditárias e feudos do Norte-Nordeste roubando tudo e todos. Por que continuam soltos? Graças aos rabos presos dos tribunais que vivem em concubinato e promiscuidade com a Ceguinha. Nós precisamos aprender a ligar os pontos. Foram os navalhas, feito Zuleido Engano, com seus iates e quadras de tênis, que meteram mais uma bala na testa de outra menina inocente.”

“Representando indignamente (pra variar) O Rio de Janeiro, quem aparece mandando pagar “com prioridade” ao Zuleido Farsas só 15 parcelas do total de 4 milhões, dois dias antes de abandonar seu governo-mictório? Sim, ó Deus dos Exércitos Venais!: Bum-Bum Garoto em plena cagautamagem, eminência parda e jogador nas onze do clube Rosinha Gigoga de Mata-Mata.”

Uns criminosos e os outros
Mauro Santayana –
maurosantayana@jb.com.br

“É provável que a Polícia Federal tenha cometido exageros no cumprimento dos mandatos judiciais. Mas quando a televisão nos mostra suspeitos sendo arrastados de seus barracos das favelas, conduzidos pelos cabelos, a face marcada de hematomas, não se registram protestos públicos, não chegam pedidos de hábeas corpus com celeridade ao STF, e tampouco são concedidos in limine. Os detidos nos barracos pertencem a outro mundo, o mundo dos que não podem pagar advogados de noemada, ou que, ainda que tivessem muito dinheiro, não encontrariam grandes profissionais especializados nesse tipo de crime. Os advogados cumprem seu papel – e os traficantes de drogas, assaltantes à mão armada, ladrões de carros, recebem o tratamento que se espera. Os corruptores, os corrompidos, intermediários, são pessoas limpas e elegantes, que quase sempre freqüentaram boas universidades, viajam pelo mundo, sabem conversar com inteligência. É um absurdo colocar-lhes algemas, porque não serão capazes de reagir contra seus captores. É gente que deve ser tratada com devido respeito. Quando a juíza Eliana Calmon, que cuida do caso, pediu a prisão preventiva dos acusados, a fim de evitar a destruição de provas, cometeu indelicadeza com pessoas finas, não obstante a abundância de elementos dos autos que lhe aconselhavam essa precaução.”

Excelentes em suas colocações a respeito dos acontecimentos atuais. Conscientes de suas responsabilidades sociais, merecem ser lidos e comentados! Meus parabéns aos autores.

2 comentários:

Briel Aitt disse...

100 milhões de crianças!?!?! Sr geografo.. É possivel uma população de 180 milhões de habitantes ter 100 milhoes de crianças!?!?!?! tem algo errado! nem vou ler o resto... é muita tendenciosidade!!!

Marco Aurélio disse...

O número pode ser desproporcional, sem dúvida, mas a realidade que ele aponta é real.