Mostrando postagens com marcador serviço público. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador serviço público. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de outubro de 2014

Aécio Neves e os Servidores Públicos

Andei lendo rapidamente - porque não queria estragar as deliciosas lasanhas que comi - o programa do Aécio Neves (PSDB) em alguns trechos onde trata de suas ideias para os Servidores Públicos. Confesso que senti muita FAMILIARIDADE de suas propostas com o que vivo, na condição de Servidor Público da cidade do Rio de Janeiro (em breve espero romper essa algema). Tenho a sensação de que, nesta parte, tenta conciliar posições nem sempre conciliáveis. Em outras palavras, parece falar para os Servidores, sinalizando para eles propostas que, a meu ver, estão muito "abertas" (pouco precisas), ainda que positivas, ao mesmo tempo em que acena para aqueles que tem a imagem - infelizmente em alguns casos correta - de que os Servidores trabalham pouco e não são muito eficientes. 

Ao mesmo tempo em assinala a criação de uma data-base, deixa transparecer - conscientemente ou não, quem sabe? - que os Servidores terão REAJUSTES e não AUMENTOS SALARIAIS (p.12). INFELIZMENTE, para os Servidores, o IPCA, índice que costuma ser utilizado para reajustes, acaba não refletindo a inflação real. (Pesquise sobre o IPCA e vai entender). O CADEADO que parece visar os aumentos salariais está colocado na dita política de "meritocracia", que já conhecemos aqui na cidade do Rio de Janeiro. Sobre isso, destaco (em transcrições nem sempre literais do programa que estão na p. 8):

1 - Prêmio por produtividade como mecanismo de incentivo ao alcance de resultado, que será pago proporcionalmente às metas alcançadas;

2 - Revigorar as escolas de governo (Enap e Esaf) para a promoção dos programas de formação continuada dos servidores federais para a atração e retenção de talentos;

3 - Criar e implantar o modelo de avaliação de desempenho individual e utilizá-lo como mecanismo para promoções e progressões nas carreiras;

4 - Implantar o modelo de remuneração variável para criar incentivos à maior produtividade individual e institucional;

Sobre os problemas e contradições desta maneira de relacionar-se com os Servidores, já argumentei nestes artigos, ao pensar o caso da cidade do Rio de Janeiro e as políticas de Eduardo Paes (olhem só: ex-tucano [ex mesmo?]):

Valorização efetiva dos servidores ou privilégio para poucos? - http://observatoriopolitica.blogspot.com.br/2012/03/valorizacao-efetiva-dos-servidores-ou.html

Podem dar ganhos reais aos Servidores, mas não devem e nem o farão, deputado Pedro Paulo? - http://observatoriopolitica.blogspot.com.br/2013/07/podem-dar-ganhos-reais-aos-servidores.html

Acredito que essa política de meritocracia enquadre-se na proposta que fala em Instituir modelo de política remuneratória que assegure desenvolvimento de carreiras (p. 12).

Entendo que quando o programa de Aécio fala em Instâncias de negociação permanente para apresentar, avaliar e debater demandas (p.12) parece manifestar o desejo de "cozinhar em banho-maria" os Servidores, JOGANDO com suas expectativas, para que não confrontem-no e nem radicalizem, via greve e manifestações, quando em busca do atendimento de suas demandas. A "mesa de negociações" deverá funcionar, quem sabe, como um mecanismo de retardo na organização de outras frentes de luta dos Servidores. Quem acompanha (ou acompanhou, como meu caso) as lutas dos Servidores da cidade do Rio de Janeiro deve lembrar dos Administrativos da Prefeitura. Boa parte deles estão sendo enrolados pelo Prefeito Eduardo Paes há alguns anos com a promessa de um Plano de Cargos e Salários que NUNCA SAI. Ah, a proposta de Aécio também fala no "fortalecimento" de Plano de Cargos e Salários. Os profissionais da Educação da cidade do Rio de Janeiro não gostaram, nem um pouco, do PCCS da Prefeitura. As mudanças em PCCSs nem sempre são boas... Quem redigirá eventuais propostas? As categorias ou o Governo Federal sob a batuta de Aécio Neves? 

Para mim, a imagem abaixo sinaliza a tônica das relações de um eventual governo de Aécio Neves: parece que será carta corrente desta gestão sentenças como "os recursos são limitados", "não podemos fazer isso agora", etc. 

Eu estou fora dessa turma de PSDB. Quero distância.


sábado, 7 de abril de 2012

Desmobilização política dos servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro

            Em Fevereiro deste ano, um amigo sugeriu a ideia de um Tuitaço dos Servidores Públicos da cidade do Rio de Janeiro pelo Plano de Cargos e Salários, promessa (ou compromisso, se você preferir) do atual prefeito Eduardo Paes, quando em campanha, em 2008. Confesso que a ideia já me ocorrera, mas fiquei reticencioso em sugeri-la, uma vez que não levei muita fé. Uso o Twitter desde as eleições presidenciais de 2010 e, de lá para cá, não vejo essa ferramenta sendo usada pelos Servidores da cidade na defesa de suas ideias e pontos de vista. Mesmo assim, topamos a empreitada.
O primeiro foi realizado em Fevereiro mesmo (27/02). Nele, conseguimos fazer um “barulho” bacana que nos surpreendeu. Em torno de 700 mensagens, se não me falhe a memória, com a tag #PlanodeCargoseSalários e outras tantas menções a conta do prefeito no microblog “@eduardopaes_”. Organizamo-nos com mais vigor para o segundo. E valeu a pena! Várias personalidades, do mundo das artes, do jornalismo e da política, assumiram nossa causa e engrossaram o coro conosco[1]. O prefeito Eduardo Paes, em retaliação às centenas de mensagens que recebeu, bloqueou o acesso de alguns de nós à sua conta. Não conseguimos fazer com que as mensagens cheguem a ele. Nem todos foram bloqueados, mas muitos de nós.
Lembro-me de ter lido diversas mensagens empolgadas dos participantes dizendo que gostaram de participar, que se sentiram satisfeitos e que, até, propunham que os Tuitaços fossem diários. Nossa empolgação estava num crescente. Organizamos o 3° Tuitaço. Os apoios que mencionei continuaram ao nosso lado, mas eis que, para meu espanto, a adesão, por parte dos servidores, foi mínima. Recordo-me que, nos dois primeiros, muitos alegaram pouca familiaridade com o microblog. Por isso, organizamos um tutorial onde, além de disponibilizarmos um vídeo do youtube ensinando como usar o Twitter, sugerimos modelos de mensagens[2]·. Quem se dispusesse a gastar 15 minutos de reflexão na leitura do artigo estaria na posse de conhecimentos suficientes para utilizar-se da ferramenta virtual. Nem assim...
Sinceramente, não quero acreditar que os Servidores da cidade do Rio de Janeiro calaram-se por causa do 14° salário que receberam neste mês de Março. Também não quero acreditar que alguém tenha alimentado a expectativa de que conseguiríamos fazer com que o prefeito Eduardo Paes, que em tempo algum manifestou boa vontade com os Servidores desta cidade (apenas em discursos de ocasião), fosse conceder o tão desejado Plano de Cargos e Salários de TODOS os servidores! Os servidores, no espaço de um mês, me deram “um gostinho de mobilização” na boca. Será que passou? Sinceramente, espero que não. Mas o que será que aconteceu então? Gostaria de ter todas as respostas, mas não as tenho. Tenho apenas alguns palpites... A tomar pelo número de servidores que se manifestaram pelo Facebook[3], nos dois grupos aí existentes que tratam dos assuntos de seus interesses, a adesão podia ser muito maior.
Às vezes eu fico pensando se o Servidor Público, de maneira geral, aceitou (ou conformou-se) com a precarização do Serviço Público que os governantes tem promovido ao longo dos últimos anos. Mesmo um observador pouco atento consegue perceber a maré crescente da Privatização assombrando a gestão pública, seja na presença de Organizações Sociais, seja na presença de empresas prestadoras de serviço. Os defensores do Estado mínimo desejam desmontar o Serviço Público por dentro, minando o ânimo de seus Servidores, com uma política salarial pífia e péssimas condições de trabalho, pelas limitações que a falta de verbas/recursos impõem a realidade de quem trabalha.
Além de ter “aceitado” essa precarização, ao invés de reivindicar as melhorias necessárias para o bom funcionamento da sua atividade profissional, muitos servidores lançam mão de “estratégias” para compensarem a desvalorização vivida. Assim, buscam na iniciativa privada, ou mesmo na esfera pública (através de concurso ou contrato), uma segunda atividade remunerada, nem sempre compatível com a atividade desempenhada inicialmente. Assim, por exemplo, o servidor administrativo tem sua carga horária reduzida ilegalmente para buscar fora a complementação de renda. E por que isso acontece? Por que não é cobrado por suas chefias imediatas ou administradores/diretores? Porque, muitas vezes, mesmo estes estão vivendo esta situação. Em última análise, o Servidor passa a tomar o Serviço Público como “bico”, como o local onde ele pode se ausentar a qualquer momento sob qualquer razão, ou mesmo “poupar suas energias” para a atividade que desempenhará no segundo momento do dia, em outras palavras, “morcegar”. Passa, por isso mesmo, recibo, para esse processo de desmonte, uma vez que se omite, diante das dificuldades vividas no cotidiano do Serviço Público. Será que o exemplo mencionado é inverossímil?
Outros servidores, com postura diversa da mencionada acima, procuram cumprir seus deveres dentro das possibilidades existentes, possibilidades muitas vezes desestimuladoras ao extremo, porque restringidas pelas carências/limitações a que o Serviço Público vem sendo submetido nos últimos tempos. Assim, ao invés de reivindicarem melhorias para o funcionamento normal de suas atividades, procuram dar “jeitinhos”, num esforço de adaptação às péssimas condições a que está submetido. Costumo dizer para os amigos servidores que, se a cada piora nas condições de trabalho, eles derem um “jeitinho” de absorverem o impacto dessa piora, a situação não vai melhorar nunca. O “jestor” (com “j”, de propósito, para destacar o mau superior hierárquico, seja o prefeito, seja o chefe imediato), com a repetição das precarizações, vai percebendo que os Servidores conseguem “adaptar-se” a condição adversa. Dessa maneira, não vai se preocupar em buscar alternativas de melhora para as dificuldades operacionais que afetam os Servidores. 
É urgente que o Servidor Público, de maneira geral – e o Servidor Municipal, de maneira específica –, crie uma cultura de reivindicação, tanto por melhorias salariais, quanto por melhoria de suas condições de trabalho. Que possamos deixar de lado a “indignação” que se restringe apenas às rodas de conversa dos Servidores, ou aos ambientes virtuais, pela internet, e materializemos, com atitudes concretas, a luta por uma realidade melhor. No momento em que existe o desejo forte do desmonte do Serviço Público, promovido por políticos comprometidos com políticas (neo)liberais de minimização do Estado, bem como por empresários interessados em explora-lo (no pior sentido do termo), vemos, por outro lado, o fracasso destes modelos de gestão. As terceirizações, por Organizações Sociais ou não, vão dando mostras públicas, de suas limitações e, principalmente, suas más intenções na gestão pública[4]. Está mais do que na hora de que cada Servidor assuma suas responsabilidades CIDADÃS e dê exemplo, como bom profissional, e cobre, exija e lute por melhorias em suas condições materiais de trabalho e de vida/sobrevivência, através do empenho por um Plano de Cargos e Salários.


[1] Apoios ao Tuitaço dos Servidores da cidade do Rio de Janeiro pelo Plano de Cargos e Salários. Disponível em: http://planodecargosesalariospcrj.blogspot.com.br/2012/03/apoios-ao-tuitaco-dos-servidores-da.html Último acesso em 29 de Março de 2012.
[2] Tuitaço dos Servidores da cidade do Rio de Janeiro Disponível em: http://planodecargosesalariospcrj.blogspot.com.br/2012/03/tuitaco-dos-servidores-da-cidade-do-rio.html Último acesso em 29 de Março de 2012.
[3] Servidores da Prefeitura do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.facebook.com/groups/337334349620163/ Com 347 membros. SERVIDORES MUNICIPAIS DO RJ. Disponível em: http://www.facebook.com/groups/servidoresdomunicipiorj/ Com 1540 membros. Último acesso em 29 de Março de 2012. Somados os dois, aproximadamente 120 pessoas manifestaram-se dizendo que participariam do Tuitaço.
[4] TCM acha prejuízo de milhões de reais em contratos na Saúde do Rio. Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/04/tcm-acha-prejuizo-de-milhoes-de-reais-em-contratos-na-saude-do-rio.html Último acesso em 06 de Abril de 2012 e Vereadores suspeitam de ligação entre Locanty e empresa que a substituirá. Disponível em: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/04/02/vereadores-suspeitam-de-ligacao-entre-locanty-e-empresa-que-a-substituira/ Último acesso em 06 de Abril de 2012.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Apoios ao Tuitaço dos Servidores da cidade do Rio de Janeiro pelo Plano de Cargos e Salários

Jornal O Dia, 2 de Março de 2012, Informe do dia, do Fernando Molica.

Ex-senadora pelo PSOL, Heloísa Helena.

Leoni, cantor.



Deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ).

José de Abreu, ator da Globo.

Deputada Estadual Clarissa Garotinho (PR/RJ).


Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ).

Deputado Estadual Robson Leite (PT/RJ).

Deputada Estadual Janira Rocha (PSOL/RJ). 

 Carlos Latuff, cartunista.

Eduardo Pavão, jornalista, consultor e assessor sindical.


Blog da Dilma, Oficial.

Leda Nagle, jornalista, apresentadora do Sem Censura, da TV Brasil.

Professora Amanda Gurgel. (http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA lembram?)


Arthur Henrique, presidente nacional da CUT. 


 Alessandro Molon, Deputado Federal (PT/RJ).


Protógenes Queiroz é delegado licenciado da Polícia Federal e deputado federal pelo PCdoB de São Paulo.

 Vereador Paulo Pinheiro (PSOL-RJ)

 Sérgio Mallandro, humorista.

Vereador Eliomar Coelho PSOL-RJ

Vereadora Sonia Rabello PV-RJ 

Ricardo Boechat, jornalista da Bandeirantes.
 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Problemas do PL 1005/11



Coletânea retirada de dois sites, que apontam problemas relativos ao PL 1005/11 que o prefeito Eduardo Paes tem tanta ansiedade em aprovar, atendendo às “recomendações” do Banco Mundial na ocasião do empréstimo que a Prefeitura do Rio de Janeiro obteve em Agosto de 2010.

“Do Plano de Capitalização destacamos alguns pontos extremamente preocupantes:

• O plano extingue a garantia da realização de Auditoria e Balanço Técnico Atuarial do FUNPREVI por entidades independentes diminuindo a transparência na gestão do fundo e legitimando a atual situação, já que desde a edição da Lei nº 3.344/2001, nunca foi atendida a determinação legal de realização de tais auditorias independentes.

• Transforma o aporte obrigatório do Tesouro Municipal em contribuição suplementar com valores inferiores à despesa atual. O aporte obrigatório fixado pela Lei nº 3.344/2001 foi a solução pactuada para custeio da despesa com aproximadamente 36 mil servidores, cerca de R$ 100 milhões de reais por mês. Na proposta encaminhada, o teto previsto já para o ano de 2011 é de aproximadamente 76 milhões de reais ao mês, portanto já deficitário.

• Desvirtua o objetivo da contribuição suplementar, pois esta será utilizada para o custeio de aposentadorias já concedidas e não para a constituição de reserva técnica, como prescreve a lei, pois todos os inativos do Município passarão a receber pelo Fundo, sem nunca terem contribuído para o mesmo.

• Trata as contribuições suplementares relativas à Educação e à Saúde como despesas dessas áreas, com impacto direto nos respectivos fundos (FUNDEB e FNS).

(...)
• Propõe anistia de todas as dívidas do TESOURO com o FUNPREVI (R$ 892.887.215,00, conforme Relatório do Tribunal de Contas de 2008) e repasses não processados (R$ 450 milhões conforme estudo da Controladoria Geral do Município), portanto mais de UM BILHÃO DE REAIS.

• Assume despesas para as futuras gestões da Prefeitura, comprometendo seriamente recursos de fundos de aplicação específica e outros repasses, como royalties (período de 2015 a 2059), em desobediência ao que dispõe a Lei de Responsabilidade Fiscal.

• Vincula despesas do FUNPREVI ao pagamento dos Royalties do Petróleo, sem quaisquer garantias ou responsabilidades por parte do Município para a cobertura de insuficiências no futuro, principalmente no caso de mudanças nos critérios atualmente vigentes no pagamento dos referidos royalties.

(...)
• O Projeto de Lei nº 1.005/2011 não ataca o principal problema do Sistema Previdenciário Municipal que é a má-gestão.”

“(...) o prefeito propõe pagar a dívida do Tesouro com o fundo do servidor — que bate R$ 1 bilhão — com imóveis superavaliados comprados com o dinheiro do próprio servidor. E dará como quitada a dívida a partir da publicação da lei.”



sábado, 13 de agosto de 2011

Como escolher um candidato?


            Eleições vão, eleições vêm e nós, eleitores comuns, não filiados a nenhum partido político, continuamos com a velha dificuldade de escolher candidatos a cargos públicos. Evidente que, por questões ideológicas, simpatizamos mais com determinados partidos políticos que outros. Uns posicionam-se a esquerda do espectro das forças políticas, outros à direita. Alguns procuram conciliar ambas as posições, retirando elementos de uma e outra, compondo o que se pode chamar de centro-esquerda ou centro-direita. É certo que presentemente muitos partidos não estão preocupados com ideologias ou programas, o que é verificável na internet, em seus sites, mas principalmente, na prática política de seus filiados, interessados apenas no atendimento de seus interesses e nos daqueles que o financiaram. Pensando essas questões, elenquei alguns itens que considero importantes na escolha de um candidato político.
1. Que seja reconhecidamente honesto. Que não esteja respondendo, na justiça, por qualquer crime, principalmente aqueles que atentam contra a vida e contra o patrimônio público. Penso que algum político, nesta situação deva, antes de candidatar-se, esperar que seu processo seja transitado em julgado, a fim de que se encontre em condições plenas de exercer, com dignidade, o mandato que pretende alcançar. Políticos que, no passado, defenderam/legitimaram atividades ilegais, não merecem a minha confiança.
2. Que não seja político profissional. Existem políticos, no atual cenário brasileiro, que nunca tiveram uma profissão fora da política. Formaram-se em algum curso superior e ingressaram, imediatamente, na política partidária, conseguindo, muitas vezes, cargos públicos ainda muito jovens. Não desdenho da capacidade do jovem. Repudio o oportunismo político de quem vislumbra fazer carreira apenas na política, desprezando a atividade profissional remunerada, seja na iniciativa pública, seja na particular. Para mim, fica muito claro que o interesse de certos jovens, ao assumirem cedo estas responsabilidades em cargos públicos, é o de transformarem-se em profissionais da política. Aprendi muito nos anos de atividade profissional. Foram fundamentais para a minha formação enquanto ser humano. Penso que estes conhecimentos, adquiridos na prática profissional, dão um “choque de realidade” necessário ao homem público. Lastimo aqueles políticos que se vangloriam de afirmarem que são parlamentares (deputado federal, estadual, vereador) há 8, 12, 16 anos ou mais. E isso, muitas vezes, sem fazerem nada de relevante.
3. Que não tenham parentes políticos. Parece que os políticos que inserem seus familiares na Política querem dar a impressão de terem esse “talento” no DNA da família. E aí entram irmãos, filhos, esposas, sobrinhos e todas as ramificações da árvore genealógica possíveis. É evidente que a prática não é nova nem aqui, nem em outras partes do mundo. Ela remonta, certamente, às práticas de poder local de monarcas (e as sucessões hereditárias do poder), bem como às famílias mais poderosas que ocupavam cargos públicos ou desempenhavam atividade parlamentar, muito típico aqui no Brasil. Os mais antigos na política procuram, nas eleições, servir de plataforma para seus parentes novatos na política, procurando transferir para eles a confiabilidade que seus eleitores depositaram neles. E aí temos patriarcas que são deputados federais, com filhos ocupando cargos de deputado estadual e vereador e já pensando nas possibilidades dos irmãos mais novos. Há filhos de políticos que se lançam às eleições depois de ocuparem postos chaves em Juventudes partidárias, num esforço de ganharem representatividade interna, somada à já existente por serem filhos de algum figurão da política. Para mim, é bem claro que estes “herdeiros políticos” desejam fazer carreira profissional na política, nos moldes do que expus no item 2.
4. Que tenha programa político e deixe claro seu posicionamento ideológico. A despeito de alguns partidos políticos desprezarem a existência de um programa político, bem como as ideologias de seus partidários, considero isso fundamental. Dessa forma, já descarto também estes partidos “nebulosos”, que funcionam como legendas de aluguel para políticos oportunistas. Quase sempre, os políticos que não demonstram sua carta de intenções e nem proclamam seu posicionamento político claramente (direita, esquerda, centro-esquerda, etc.) preferem estas legendas. Mas não é via de regra, evidentemente. E não me falem que não existem mais ideologias. A morte das ideologias, como diz Paulo Freire, é ideologizada. Apagar as ideologias é o desejo de muitos que defendem soluções “técnicas” que figuram, em última análise, como “caminhos únicos” a seguir, “únicas alternativas” para a solução de determinados problemas econômicos e sociais, quando toda escolha que se faça, via de regra, é política, diz respeito a crenças, visões de mundo e posicionamentos políticos, ainda que não declarados explicitamente.
5. Que se posicione a favor da classe trabalhadora e defenda seus interesses. Dificilmente a grande maioria dos políticos faz propostas claras que atentem contra os interesses dos trabalhadores. Quando muito, fazem promessas mais “gerais”, nada específicas, o que lhes dá respaldo para manobrarem quando lhes convenha. Políticos que não são favoráveis a aumento de salários, à redução de jornadas de trabalho, que não defendam o servidor público e que pretendam reduzir direitos da classe trabalhadora com discursos de flexibilização da legislação trabalhista não merecem o meu voto.
6. Que defendam o Serviço Público de qualidade, promovido por servidores de carreira, concursados e que sejam contrários a qualquer tipo de privatização. Observamos, presentemente, um esforço de desmantelamento do serviço público que não começou agora, que vem operando gradualmente em diversas vias, quais sejam:
6.1. A precarização das condições de trabalho;
6.2. Baixos salários;
6.3. Falta de incentivos para melhor qualificação dos servidores;
6.4. Terceirizações que operam da seguinte forma:
6.4.1. Na gestão de unidades públicas, como as Organizações Sociais, atualmente na moda, sem comprovada eficácia;
6.4.2. Na presença de funcionários terceirizados, que muitas vezes recebem salários menores e não tem respeitados seus direitos trabalhistas. Em algumas situações, ganham melhor que os servidores para desempenharem as mesmas tarefas que estes (Ex.: Médicos contratados por Organizações Sociais na cidade do Rio de Janeiro).
7. Que mantenham contato com os eleitores de todas as formas possíveis e que, quando eleitos, prestem contas de suas ações. Muita gente só encontra os políticos no período eleitoral, onde eles andam, alegremente, pelas ruas, apertando mãos, dando abraços, segurando crianças de colo, conversando “atentamente” com potenciais eleitores, comendo comidas que, para eles, são exóticas (porque não habituados)... Enfim, procuram visibilidade. Procuram mostrar-se o mais próximo das pessoas, como se fosse um deles, um legítimo representante dos interesses do povo. Depois das eleições, somem, evaporam. Se conseguirem seu telefone e endereço é apenas para lhes mandar, no seu aniversário, uma cartinha felicitando-lhe e, nas eleições, sua propaganda através de mala direta. Quando procurados, principalmente, pela internet, ferramenta interessante para contato entre pessoas, quase sempre não se dignam responder-lhe as indagações. Quando o fazem, confrontados por perguntas “desconfortáveis” ensaiam uma evasiva, dão uma opinião bem geral, que não lhes comprometa. Escutar alguma sugestão sua? É período de (re)eleição? Se for, podem te escutar, se não for, vai ter que esperar até que seja...
8. Que não troque de partido como trocamos de meias. Olha, ninguém leva a sério aquela pessoa que vive trocando de time de futebol. O “vira-casaca” é sinônimo de alguém que não entende nada de futebol ou, quando muito, de oportunista, porque quase sempre escolhe o “time da moda” para torcer. Ora, merece crédito aquele político que vive trocando de partido de acordo com seus interesses? Quase sempre estes políticos “espertinhos” migram para partidos de ideologia não definida, que lhes servem de legendas de aluguel. Quando são vencidos aí por outros que são como ele, quando seus interesses são abafados pelos interesses de outros políticos como ele, resolve sair, quando não fundar um partido. Não confio em político assim.
9. Político que não tenha “Centro Social”. Estes locais oferecem diversos serviços à população que o poder público oferece ou poderia oferecer. Atendimentos médicos e odontológicos, “empréstimo de ambulâncias”, aulas de artes marciais e por aí a fora. Para mim fica claro que a intenção destes políticos é a de conquistarem fidelidades das pessoas que recebem os serviços aí oferecidos. Agora pensemos juntos: se o político tem um Centro Social que oferece tratamento dentário, por exemplo, ele se importará com o atendimento de quem necessite de dentista, caso ele seja vereador, por exemplo? Será que se o eleitor encontrar dentista no Posto de Saúde que ofereça serviço de qualidade, ele procurará o Centro Social do político? Então, para mim, o político que tem Centro Social lança mão da precariedade da oferta de serviços públicos para alimentar uma clientela que tem potencial de se transformar em seus eleitores. Se ele se vale dessa precariedade do serviço público, ele não tem interesse em melhorá-lo, pois do contrário, o Posto de Saúde concorrerá com seu Centro Social.
10. Políticos que não estendem faixas de agradecimento por suas realizações. Muitos podem alegar que não foram os próprios políticos que estenderam estas faixas. Verdade. Mas as pessoas que recorreram a eles, que tem interesses políticos e partidários sim. E esses políticos não se aborrecem com isso... Dessa forma, fazem propaganda eleitoral muitas vezes fora de época. Além disso, constroem a imagem do político como alguém que, ao realizar algo em benefício de determinada comunidade/bairro, está realizando um favor, e não uma obrigação, como de fato o é. O político foi eleito para lutar pela melhoria dos serviços prestados à população. O que ele faz não é favor. Ele está ali para isso. Quem cumpre seu dever não faz nada demais.
            Evidente que o assunto não se esgota aqui. Outros pontos podem ser levantados, alguns destes podem ser suprimidos. Tudo isso de acordo com a visão política de cada um. Estes pontos dizem respeito àquilo que acredito necessário para o indivíduo que deseja ingressar na Política mantendo postura ética adequada. Dizem respeito, também, as minhas crenças políticas.